Desafios no Acesso ao Apoio Especializado
Isabella Fuentes Silva, uma estudante de apenas dez anos da Escola Municipal Desembargador Marçal Justen, em Curitiba, enfrenta um desafio significativo em sua trajetória educacional. Diagnosticada com paralisia cerebral, a menina necessita de acompanhamento por uma professora especializada durante as aulas. Embora esse direito tenha sido assegurado por meio de uma decisão judicial no final do ano anterior, a Justiça negou o pedido de continuidade do suporte para o ano letivo atual.
A mãe de Isabella, Paula Heidy, ressalta que a escola sempre demonstrou acolhimento e carinho com a filha. “Sou grata a todos pelo cuidado com a Isabella”, afirma. Entretanto, a preocupação da família gira em torno da estrutura educacional disponível, essencial para proporcionar uma aprendizagem efetiva às crianças que precisam de inclusão.
Isabella não apresenta dificuldades intelectuais, mas, devido ao comprometimento em sua coordenação motora, é fundamental que tenha um suporte adequado em sala de aula. No momento, esse apoio é realizado pelas professoras regentes, o que, segundo a mãe, não atende plenamente às necessidades da filha. “O suporte ideal seria uma professora especializada para acompanhá-la individualmente”, explica Paula.
Limitações do Apoio Educacional
Outro ponto que preocupa a família é a formação das profissionais que prestam apoio à Isabella. Conforme relatos, essas profissionais são, na maioria das vezes, estudantes sem a autonomia ou a qualificação necessária para implementar adaptações pedagógicas que beneficiem a aprendizagem de Isa. “Para que a Isa aprenda com eficiência, ela precisa de uma professora especializada individual”, destaca a mãe, enfatizando a importância desse suporte qualificado.
A decisão anterior da Justiça que garantiu a presença de uma professora especializada foi revogada pelo Tribunal de Justiça do Paraná, o que gerou um impasse. A família questiona a falta de uma perícia técnica que justifique a negativa do atendimento especializado. Além disso, a Justiça argumenta que Isabella deveria realizar terapia no contraturno escolar. No entanto, a família informa que ela já está inserida em diversas terapias oferecidas pela rede de saúde suplementar, e isso impossibilita a definição de horários para acompanhamento na rede pública de ensino.
Essa situação levanta um alerta sobre a necessidade de um sistema educacional mais inclusivo e adaptado às realidades das crianças com deficiências. O acesso a profissionais capacitados é fundamental para que estudantes como Isabella possam desenvolver seu potencial pleno em um ambiente escolar que respeite suas particularidades.
A luta da família de Isabella não é um caso isolado. Muitas crianças no Brasil enfrentam barreiras semelhantes ao buscar um atendimento educacional que realmente atenda suas necessidades. Por isso, é imprescindível que o poder público reavalie suas políticas educacionais e garanta que todas as crianças, independentemente de sua condição, tenham acesso a um ensino de qualidade.
