Investindo na Saúde da Mulher no Paraná
A rotina acelerada muitas vezes coloca o autocuidado em segundo plano, mas no caso do câncer de colo do útero e do câncer colorretal, o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de tratamento eficaz e minimizar complicações. Em uma iniciativa para reforçar a saúde feminina, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Paraná está intensificando ações integradas que envolvem prevenção, vacinação, rastreamento e a organização da Rede de Atenção à Saúde por todo o estado.
Manter exames em dia, atualizar a carteira de vacinação e estar atento a sinais do corpo são atitudes que podem fazer a diferença na luta contra essas doenças. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca/MS), o Paraná deve registrar cerca de 1.120 novos casos de câncer de colo do útero e aproximadamente 3.620 casos de câncer colorretal até 2026.
O câncer de colo do útero está vinculado à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), enquanto o câncer colorretal, que afeta cólon e reto, é um dos tipos mais comuns na população. Para combater essas doenças, a vacina contra o HPV é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, em um esquema de dose única. No Paraná, a vacinação ocorre em 1.850 salas públicas, assim como por meio de ações em escolas e estratégias de busca ativa. Adolescentes entre 15 e 19 anos que não foram imunizados até os 14 anos ainda podem receber a vacina até junho de 2026.
Resultados e Compromisso com a Saúde
Em 2024, o estado alcançou uma cobertura vacinal de 93,18%. Este índice subiu para 95,06% em 2025, superando a meta nacional. Embora a cobertura acumulada até março de 2026 seja de 78,83%, este número ainda é parcial devido ao início do calendário anual.
O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, reafirma o compromisso da gestão com a organização da rede de saúde. “Estamos investindo na qualificação dos serviços de oncologia, no fortalecimento da Atenção Primária e na ampliação das estratégias de prevenção. O diagnóstico precoce salva vidas e reduz o impacto da doença no sistema de saúde, garantindo que as mulheres com alterações identificadas tenham acesso rápido à investigação e tratamento”, comenta.
Em 2025, a Sesa intensificou a organização da linha de cuidado para o câncer de colo do útero, visando ampliar o acesso e o diagnóstico precoce. As ações de vacinação contra o HPV foram reforçadas, incluindo atividades em escolas e a imunização de adolescentes ainda não vacinados, além da reorganização dos fluxos de rastreamento na Atenção Primária.
Iniciativas de Saúde Preventiva
Um destaque significativo foi a Carreta Saúde da Mulher, que atuou de 16 de setembro a 12 de dezembro de 2025, realizando 19.852 consultas e exames, atendendo 10.040 mulheres. Entre os procedimentos realizados, 14.452 foram exames, incluindo mamografias, ultrassonografias e coletas de citopatológico. Desses, 62 mulheres apresentaram alterações que necessitaram de encaminhamento para exames complementares.
A mobilização também inclui a execução do teste molecular de DNA-HPV, uma tecnologia mais sensível para detecção da infecção, que possibilita a identificação precoce na rede pública. O Paraná participa do projeto-piloto do Ministério da Saúde para substituir o exame citopatológico pelo DNA-HPV, com expectativa de completa implementação até dezembro de 2026.
O exame citopatológico do colo do útero (Papanicolau) permanece como a principal estratégia de prevenção, com a Sesa disponibilizando anualmente kits de coleta para 398 municípios. O investimento estadual para esses insumos é de aproximadamente R$ 2,3 milhões por ano, além dos custos das análises laboratoriais realizadas por 30 laboratórios contratualizados. Em 2024, foram realizados 509.720 exames, com 505.823 procedimentos adicionais em 2025, totalizando mais de um milhão de exames nos últimos dois anos.
Promoção da Saúde e Diagnóstico Precoce
No que diz respeito ao câncer colorretal, a estratégia estadual começa na Atenção Primária, promovendo hábitos saudáveis e a identificação precoce de sintomas, seguida pela realização de exames diagnósticos, como a colonoscopia. Os casos confirmados são encaminhados para tratamento em hospitais especializados. Maria Goretti David Lopes, diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, ressalta a importância da vacinação contra o HPV, destacando que é uma ferramenta vital para a redução do câncer de colo do útero nas próximas décadas. “O nosso trabalho com ações em escolas e busca ativa visa garantir que adolescentes estejam protegidos, potencializando a cobertura vacinal e reduzindo desigualdades no acesso à saúde”, conclui.
