A Memeficação como Linguagem e Crítica
Uma exposição que promete arrancar sorrisos e reflexões. Assim é apresentada “Meme: no Br@sil da memeficação”, idealizada pelos curadores Clarissa Diniz e Ismael Monticelli. Após passar por São Paulo e Brasília, a mostra será inaugurada neste sábado (28/3) no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em Belo Horizonte, onde ficará em cartaz até 22 de junho.
A exposição reúne um acervo diversificado de cerca de 800 itens, sendo que o nonsense e o deboche são elementos centrais, fruto do trabalho de 200 criadores do ambiente digital e artistas renomados. A proposta é investigar como os memes funcionam como uma linguagem própria, além de se configurarem como crítica social, afeto coletivo e formas de produção estética, imergindo na cultura digital brasileira.
A Relevância dos Memes na Cultura Contemporânea
A curadoria busca desafiar as divisões entre “alta” e “baixa” cultura, apresentando obras de artistas consagrados como Anna Maria Maiolino, Gretta Sarfaty, Nelson Leirner e Claudio Tozzi, lado a lado com criadores de conteúdo como Blogueirinha, Porta dos Fundos, Alessandra Araújo e John Drops. Para Diniz, professora da Escola de Belas-Artes da UFRJ, a gênese da mostra está conectada à experiência da pandemia. “Durante o período mais intenso de isolamento, eu e Ismael trocávamos muitas mensagens online. Começamos a notar como os memes se tornaram parte essencial da nossa comunicação, refletindo sentimentos e inquietações da época”, comenta.
O evento ressalta a importância de o mundo das artes se atentar a esse imaginário visual, que é vasto e profundo na atualidade. “Queremos destacar não apenas o que é um meme, mas observar os processos de sua criação, circulação e reapropriação”, menciona Diniz.
Uma Experiência Interativa e Crítica
Ismael Monticelli, artista multimídia que desenvolveu sua pesquisa de doutorado sobre a conexão entre arte e redes sociais, enfatiza a evolução conceitual dos trabalhos exibidos. “Construímos narrativas textuais em torno dos conteúdos. Você pode optar por uma visita rápida e superficial, ou mergulhar em uma experiência mais crítica e política sobre a linguagem dos memes”, explica Monticelli.
A exposição é dividida em cinco núcleos temáticos: “Ao pé da letra”, “A hora dos amadores”, “O eu proliferado”, “Da versão à inversão” e “Combater ficção com ficção”. O espaço tátil “Alisa meu pelo” serve como prólogo, enquanto o epílogo, intitulado “Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam?”, também instiga a curiosidade do público. Além disso, há uma variedade de formatos, como vídeos, neons, esculturas, roupas e experiências interativas.
Explorando a Identidade e a Crítica Social
Segundo Diniz, os núcleos não visam categorizar os memes, mas sim as práticas que estes implicam. Por exemplo, “Ao pé da letra” investiga as dimensões linguísticas da memeficação, explorando a relação entre texto, imagem e os limites do sentido. O segundo núcleo foca na dinâmica entre anonimato e o protagonismo de seus criadores, questionando como a memeficação transformou nossa percepção sobre especialização e amadorismo no Brasil.
“O eu proliferado” trata da identidade sob a lente da internet e suas disforias, enquanto “Da versão à inversão” discute a relação entre mímese e a paródia. O último núcleo, “Combater ficção com ficção”, traz um olhar mais direto para as interações entre humor e resistência. O prólogo “alisa meu pelo”, com onças em formatos variados, também chama a atenção.
Uma Celebração da Cultura Digital
O dia de abertura promete ser uma verdadeira celebração da cultura digital, com atividades interativas, distribuição de brindes e experiências exclusivas, como um passeio na Carreta Furacão, um ícone da cultura popular. Entre as atrações, a barraca do “Sanduíche-íche” oferecerá um lanche especial inspirado em um meme de Ruth Lemos, uma nutricionista que se tornou famosa após uma entrevista na TV Globo Nordeste em 2004. A partir das 15h, os curadores compartilharão insights sobre o processo de criação da exposição.
“Meme: no Br@sil da memeficação” será oficialmente aberta neste sábado (28/3), das 10h às 22h, no CCBB-BH, localizado na Praça da Liberdade, 450, Funcionários. A visitação ocorrerá de quarta a segunda-feira, com entrada gratuita e ingressos disponíveis no site e na bilheteria do centro cultural, até 22 de junho.
