Aumento nas Operações Policiais
A Polícia Federal (PF) intensificou suas ações em 2025, realizando um total de 1.132 operações contra crimes cibernéticos relacionados ao abuso sexual de crianças e adolescentes. Esse número representa um aumento de 6% em comparação a 2024, resultando em uma média diária de três operações. As ações têm como alvo a produção, o armazenamento e o compartilhamento de materiais ilegais envolvendo menores na internet.
Essas operações resultaram no resgate de 123 vítimas, um crescimento expressivo de 24% em relação ao ano anterior. As investigações são fundamentadas nos artigos 240 e 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que proíbem a produção, venda e divulgação de imagens ou vídeos de conteúdo sexual envolvendo menores de idade.
Nova Legislação em Vigor
À medida que mais crianças e adolescentes se tornam ativos no ambiente digital, a proteção desses jovens se torna ainda mais crítica. Em resposta a essa crescente exposição, o ECA Digital foi sancionado, criando novas obrigações para provedores de serviços digitais, incluindo redes sociais e aplicativos. A partir da terça-feira (17), as plataformas precisam vincular os perfis de menores a um responsável e remover conteúdo considerado prejudicial.
A legislação, conhecida como PL da Adultização, tem como objetivo fortalecer a segurança de crianças e adolescentes na internet, especialmente à luz do aumento dos crimes cibernéticos. A discussão sobre essa medida ganhou força em 2024, após denúncias feitas pela influenciadora Felca.
A Justiça no Combate ao Abuso Sexual Infantil
A PF é a responsável pela coordenação dessas operações, uma vez que os crimes cibernéticos muitas vezes têm caráter transnacional. O material abusivo pode circular em plataformas digitais com alcance global, o que compromete tratados internacionais de proteção à criança. As ações da PF podem envolver prisões, resgates de vítimas e cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Além do foco no abuso infantil, a Polícia Federal também investiga crimes de ódio, fraudes eletrônicas e delitos de alta tecnologia, mas o abuso sexual de crianças e adolescentes compõe a maior parte das operações, representando 90% do total de ações contra crimes cibernéticos.
A diretora da SaferNet Brasil, Juliana Cunha, destaca que esses dados refletem um problema ainda mais profundo: “Em 2024, recebemos cerca de 60 mil denúncias de conteúdos de abuso e exploração sexual.”
Dados Alarmantes
Segundo um relatório recente da Unicef, uma em cada cinco crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos foi vítima de exploração ou abuso sexual facilitados pela tecnologia, totalizando aproximadamente 3 milhões de jovens afetados. Thiago Figueiredo Rodrigues, delegado da Coordenação de Repressão a Crimes Cibernéticos da PF, observa que, com o aumento do acesso à internet, os jovens estão mais vulneráveis: “Em um crime físico, o abusador precisa criar um vínculo, enquanto online, ele pode atingir um número muito maior de pessoas.”
Apesar do aumento nas operações policiais e da gravidade da situação, Juliana vê um lado positivo nas iniciativas atuais, que não se concentram apenas em punir os infratores, mas também em identificar e resgatar as vítimas.
Operações Recentes de Destaque
Nos dados da PF, em janeiro de 2026, foram iniciadas 17 operações para combater crimes relacionados ao abuso sexual infantil na internet. Uma delas, a Operação Apertem os Cintos, apanhou um ex-piloto de avião de 60 anos no Aeroporto de Congonhas, suspeito de liderar uma rede de exploração sexual infantil. As investigações mostraram que Sérgio Antônio Lopes contava com a ajuda de familiares das vítimas para aliciá-las, com pelo menos sete crianças identificadas até agora.
Outra operação, denominada Carcará 40, resultou na prisão de um homem no Piauí suspeito de produzir e compartilhar material de abuso sexual infantil. Em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, uma mulher foi presa por abusar de suas próprias filhas e compartilhar vídeos na dark web. As operações continuam a ser uma prioridade, com o objetivo de mapear a extensão do problema e resgatar mais vítimas.
Análise Regional das Operações
Embora o número total de operações tenha aumentado em todo o Brasil, essa tendência não se refletiu igualmente em todos os estados. Em Rondônia, por exemplo, que liderou o resgate de vítimas, o número de operações cresceu 148%, passando de 23 em 2024 para 57 em 2025. Em contraste, São Paulo, que teve o maior número de operações no ano passado, com 193, apresentou uma redução de 19% em relação ao ano anterior.
Os dados de operações realizadas em 2025 são os seguintes:
- São Paulo: 193 operações e 6 vítimas resgatadas
- Minas Gerais: 98 operações e 2 vítimas resgatadas
- Paraná: 92 operações e 7 vítimas resgatadas
- Rio Grande do Sul: 84 operações e 8 vítimas resgatadas
- Rio de Janeiro: 65 operações e 5 vítimas resgatadas
- Rondônia: 57 operações e 21 vítimas resgatadas
