Formação Relevante para o Enfrentamento do Racismo
No último dia 13, a manhã foi marcada por um evento significativo promovido pelo Setor de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Aracruz. A formação aconteceu no Plenário da Câmara Municipal e teve como foco a capacitação de profissionais das áreas de Educação, Saúde, Conselho Tutelar e Direitos Humanos sobre a Educação das Relações Étnico-Raciais (Erer). Esse encontro teve como objetivo não apenas educar, mas também conscientizar os participantes sobre a urgência de se combater o racismo em suas diversas formas.
O evento também fez a apresentação das diretrizes curriculares da Política Nacional de Equidade e Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), além de protocolos antirracistas que visam orientar as práticas pedagógicas e o acompanhamento nas escolas, sempre à luz da PNEERQ. A técnica pedagógica Daniela Reis de Jesus Rossoni foi a responsável por mediar a formação e trazer uma análise detalhada sobre a reprovação escolar em 2025, fundamentada nas diretrizes da PNEERQ.
A secretária municipal de Educação, Jenilza Spinassé, abriu o evento com uma calorosa recepção a todos os presentes, ressaltando a importância de cada um no combate ao racismo. “Formadores de opinião, seja na educação, assistência social ou saúde, devem refletir sobre suas ações para enfrentar esse mal que ainda persiste na sociedade, mesmo diante de vozes que negam sua existência. É crucial que nós, que lidamos diariamente com as crianças, entendamos que a indisciplina pode ser um reflexo de sofrimento, e não apenas uma chamada à punição”, afirmou Spinassé.
Reflexão e Conhecimento
Durante a formação, Daniela Reis propôs uma reflexão aos participantes, questionando-os sobre qual personalidade negra eles escolheriam se pudessem trocar de corpo com alguém. A provocação gerou um debate rico, onde foram mencionados ícones como Thurgood Marshall, advogado que desempenhou um papel fundamental na luta contra a segregação racial nos Estados Unidos, e Milton Santos, renomado geógrafo brasileiro que dedicou sua carreira ao estudo das desigualdades sociais e raciais.
Além disso, a formação incluiu uma linha do tempo que traçou a história do racismo no Brasil e as lutas contra a discriminação racial, permitindo um entendimento mais profundo sobre a evolução da educação antirracista no país. A técnica pedagógica destacou que o racismo se manifesta de várias maneiras, sendo essencial identificar suas formas para combatê-lo de forma eficaz.
“O racismo pode ser classificado em três categorias principais: o individual, o institucional e o estrutural. O racismo individual envolve comportamentos preconceituosos de pessoas contra indivíduos negros. Já o racismo institucional ocorre quando normas e políticas em instituições prejudicam sistematicamente grupos raciais específicos. Por fim, o racismo estrutural se revela como a forma mais complexa, enraizada nas estruturas sociais, políticas e culturais do Brasil, perpetuando as desigualdades raciais”, explicou Daniela.
Equidade e Reprovação Escolar
Em outro ponto abordado, o conceito de equidade foi discutido, destacando sua relevância em áreas como educação, saúde e direito. A equidade busca justiça e imparcialidade no tratamento e na distribuição de recursos. Durante a apresentação dos dados sobre reprovações, Daniela ressaltou uma preocupante realidade: estudantes pardos, pretos e indígenas, grupos historicamente marginalizados, são os mais afetados pela reprovação escolar, especialmente os estudantes pardos e indígenas na rede municipal.
Por fim, foi criada a Comissão ERER, formada por servidoras comprometidas, que terá a função de acompanhar e orientar as ações relacionadas à Educação das Relações Étnico-Raciais no município. O grupo, que inclui profissionais como Nercilia dos Santos Costa e Dulcinéia Ruy Nossa, entre outras, se dedicará a fortalecer o suporte pedagógico nas escolas, promovendo um espaço educativo inclusivo e equitativo.
