Audiência Pública sobre Agrotóxicos e Mananciais
O uso de agrotóxicos em áreas destinados à proteção dos mananciais que abastecem Curitiba e a Região Metropolitana será discutido em uma audiência pública agendada para a próxima terça-feira (17), às 9 horas, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná. A iniciativa é do deputado estadual Goura (PDT), que busca dar voz a preocupações levantadas por pesquisadores e movimentos sociais.
Este debate surge como continuação do evento “APA do Iraí, 23 anos livre de agrotóxicos”, realizado em dezembro de 2025. Durante esse evento, foi divulgado um manifesto que se opõe à flexibilização das restrições sobre o uso de agrotóxicos na Área de Proteção Ambiental (APA) do Iraí. O documento destaca os riscos ambientais e à saúde pública associados à possível liberação desses produtos nas regiões responsáveis pelo fornecimento de água da área.
Requisitos de Proteção e Sustentabilidade
“A realização desta audiência é uma resposta a uma demanda apresentada por pesquisadores, entidades e movimentos que participaram do encontro ‘APA do Iraí, 23 anos livre de agrotóxicos’”, declarou Goura. Ele enfatiza que o manifesto resultante do evento pede uma discussão institucional sobre o tema na Assembleia Legislativa. “Estamos aqui para atender a essa necessidade”, completou.
O parlamentar ressaltou que o debate se torna ainda mais urgente devido à possibilidade de testes com agrotóxicos em áreas próximas a reservatórios estratégicos, como o do Iraí. “Precisamos de uma política pública robusta para proteger os mananciais que abastecem Curitiba e a Região Metropolitana. É vital prevenir a contaminação da água e do solo, proteger a saúde da população e fomentar alternativas sustentáveis”, defendeu Goura.
O deputado também recorda que esse assunto é acompanhado pelo seu mandato desde 2019, com a apresentação do Projeto de Lei nº 438/2019, que visa tornar Curitiba e a Região Metropolitana livres de agrotóxicos. “Esta audiência é um passo importante para ampliar o debate e aproximar a universidade, a sociedade e o poder público na construção de políticas efetivas de proteção ambiental e saúde coletiva”, afirmou.
Um Chamado à Ação
O principal objetivo da audiência é promover um diálogo institucional e social sobre o uso de agrotóxicos nas Áreas de Proteção Ambiental da Região Metropolitana de Curitiba, focando nos impactos que essa prática pode ter sobre os recursos hídricos, o meio ambiente e a saúde da população.
A engenheira agrônoma e professora da UFPR, Marcia Marzagão Ribeiro, que participou da organização do evento que celebrou os 23 anos de luta contra os agrotóxicos na APA do Iraí, enfatizou que o debate agora abrange não apenas questões técnicas, mas também a saúde pública e a segurança hídrica. “Essa conversa é essencial para a Região Metropolitana de Curitiba. O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos, e esse modelo de produção tem ampliado a contaminação da água, do solo e dos alimentos. Não podemos permitir que essa situação se agrave nas áreas de mananciais”, advertiu.
Importância do Manifesto
A professora alertou que a solicitação de uso de agrotóxicos em uma fazenda experimental da UFPR, localizada nas proximidades da APA do Iraí — uma área crítica para o abastecimento de água da Grande Curitiba — representa uma ameaça real ao meio ambiente e à saúde pública. “A possibilidade de empregar agrotóxicos em áreas legalmente protegidas é um risco que não podemos ignorar. Por isso, é fundamental que essa discussão ocorra publicamente e que haja uma avaliação rigorosa dos riscos de contaminação dos mananciais que abastecem a população”, ressaltou Marcia.
O evento “APA do Iraí, 23 anos livre de agrotóxicos” também resultou em um manifesto que se posiciona contra a flexibilização das restrições ao uso de agrotóxicos na APA do Iraí, além de solicitar um pronunciamento público das entidades responsáveis pela gestão ambiental e abastecimento de água. O documento destaca riscos à saúde pública e ao direito ao acesso a água limpa, exigindo uma ação firme das autoridades, como o Instituto Água e Terra (IAT), a Sanepar, o Ministério Público e a Assembleia Legislativa do Paraná.
“As áreas dentro da APA do Iraí têm um enorme potencial para a produção orgânica e agroecológica, alternativas que promovem não apenas a conservação da água, mas também a geração de renda sustentável”, concluiu Marcia.
