Disputa Política no Cenário Paranaense
A recente conversa em Brasília entre Ratinho Jr. e o senador Rogério Marinho (PL-RN), que lidera a oposição no Senado, trouxe à tona tensões na aliança política no Paraná. O diálogo, que ocorreu nesta quarta-feira, serviu para discutir a proposta de Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em busca de apoio. Contudo, Ratinho se mostrou cauteloso, reiterando sua intenção de manter o projeto presidencial caso seja escolhido pelo PSD para a eleição de 2026.
No encontro, Ratinho destacou sua posição como o candidato mais forte dentro do PSD para concorrer ao Palácio do Planalto. A definição do nome que representará o partido está prevista para as próximas semanas e a disputa inclui outros governadores, como Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS).
Uma nova reunião entre as partes deve ocorrer em duas semanas, mas a música é outra. Ratinho expressou, por meio de aliados, que ameaças de rompimento poderiam complicar a criação de um entendimento. Ele alertou que tentativas de forçá-lo a desistir poderiam ter um efeito adverso, inclusive repercutindo no nível de suporte de seu grupo político em um eventual segundo turno presidencial com o candidato do PL.
Negociações em Meio à Tensão
Apesar dos desentendimentos, aliados de ambos os lados buscam manter o diálogo aberto entre o bolsonarismo e o PSD, que é visto como um partido estratégico nas articulações para 2026, graças à sua presença em todo o país e ao tempo de sua propaganda eleitoral.
No entanto, enquanto Flávio tenta firmar o apoio de Ratinho, sua equipe também está avaliando um plano alternativo no Paraná, caso as negociações não avancem. Fontes próximas à campanha mencionam que o PL considera a possibilidade de apoiar o senador Sergio Moro (União Brasil) em sua candidatura ao governo estadual. Um encontro entre Flávio e Moro está agendado para a próxima semana.
Essa alternativa é encarada como uma maneira de assegurar uma base competitiva para a candidatura presidencial de Flávio no estado, caso a aliança com Ratinho se desfaça.
A Aliança e os Compromissos Firmados
Os aliados de Ratinho acreditam que um rompimento radical neste momento é improvável e que ambos os grupos pretendem preservar alguma forma de aliança política até 2026. Durante a conversa com Marinho, Ratinho relembrou que a aliança com o PL foi estabelecida desde 2024. Ele citou o episódio das eleições em Curitiba, onde o PL lançou o vice-prefeito Paulo Martins na chapa do PSD. O governador ressaltou que, conforme acordado, o partido apoiaria o candidato indicado por ele para o governo em 2026, em troca da candidatura do deputado federal Filipe Barros (PL) ao Senado.
No entanto, o governador expressou sua insatisfação em relação ao cumprimento dos compromissos por parte do PL. Ratinho mencionou o apoio que o ex-presidente Jair Bolsonaro deu à candidata derrotada em Curitiba, o que, segundo ele, quebrou o pacto político previamente firmado.
Perspectivas para o PSD e a Candidatura Própria
Dentro do PSD, a linha de ação continua sendo a busca por uma candidatura própria à Presidência. O presidente da sigla, Gilberto Kassab, tem afirmado reiteradamente que a decisão sobre a candidatura será tomada internamente, com a intenção de apresentar uma alternativa centrista para as eleições de 2026.
Nos bastidores, líderes do partido reconhecem que Ratinho possui a maior visibilidade política entre os candidatos em potencial, impulsionada pela sua popularidade no Paraná e pelo apoio de seu pai, o apresentador Ratinho, além de seu bom relacionamento com o setor empresarial.
Apesar da aproximação com Flávio, fontes próximas a Kassab garantem que o PSD está decidido a seguir com o plano de uma candidatura própria. A formação de uma aliança com o PL enfrenta resistências, especialmente em função das dinâmicas políticas estaduais, que, se mal geridas, poderiam prejudicar parcerias locais, como em Pernambuco, onde a governadora Raquel Lyra (PSD) está mais alinhada ao governo federal.
Após a reunião, Flávio deu um passo em direção ao governador ao comentar nas redes sociais uma publicação de Ratinho. Ele afirmou que ambos devem trabalhar para “resgatar o Brasil das mãos sujas do PT”, sinalizando que, apesar das divergências, ainda existe um esforço para manter as pontes de diálogo entre os dois grupos políticos.
