Governador do Paraná em Foco nas Articulações Eleitorais
Ratinho Junior (PSD-PR), descrito por aliados como um político cauteloso e habilidoso nas articulações, enfrenta um momento decisivo. O governador se prepara para definir seu futuro eleitoral e o de seu grupo político até o final de março, período que se aproxima da desincompatibilização de cargos. Essa situação é crucial, pois requer que governadores candidatos à Presidência ou Senado renunciem ao mandato, alinhando suas estratégias à polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
No último ano, o nome de Ratinho Junior se destacou no cenário político nacional. Seu planejamento, até agora, mostra um foco em como se posicionar sem fazer um anúncio formal de sua pré-candidatura à Presidência. Essa estratégia o mantém como uma alternativa viável dentro da centro-direita brasileira, o que é essencial nesse momento de disputas acirradas.
As articulações nos bastidores têm sido constantes, e tudo indica que essa estratégia deve continuar até a decisão de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, que está prevista para o fim deste mês. Ratinho Junior se junta a Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS) como os possíveis presidenciáveis da sigla.
Pressão do Calendário Eleitoral e Aumento do Tom Político
A pressão do calendário eleitoral, portanto, tem levado Ratinho Junior a intensificar suas atividades. Recentemente, participou de uma série de eventos partidários em São Paulo, que incluíram a filiação de novos deputados e uma reunião com a Associação Comercial da capital. Durante uma entrevista ao Poder 360, o governador se posicionou como o “candidato da direita cidadã” e afastou a ideia de ser uma “terceira via”.
Entretanto, antes de deixar o cargo, Ratinho Junior terá que resolver questões internas do PSD no Paraná. O objetivo é garantir a unidade do partido em prol de uma futura candidatura ao governo. O governador tem planos de se reunir com líderes partidários a fim de consolidar a base governista, que, segundo ele, tem sido fundamental para a “paz institucional e política” no estado nos últimos anos.
Investigações realizadas pela Gazeta do Povo revelaram que seus secretários e alguns deputados estaduais têm se empenhado desde o ano passado para viabilizar a pré-candidatura de Guto Silva (PSD-PR), secretário das Cidades e amigo de longa data de Ratinho. Contudo, dentro do próprio PSD, há uma corrente que defende a pré-candidatura de Alexandre Curi, atual presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, que possui forte apoio entre prefeitos e vereadores do interior.
Desafios à Vista e Relações Partidárias
Essa disputa interna pode ter impacto significativo na continuidade do governo de Ratinho Junior, que possui uma alta taxa de aprovação. Na semana passada, um jantar em Curitiba foi realizado para discutir o nome de Guto Silva como possível pré-candidato, enquanto Alexandre Curi e Rafael Greca poderão deixar o partido se não houver uma definição até o final deste mês.
Um interlocutor próximo a Ratinho Junior acredita que, com o anúncio do escolhido pelo governador nas próximas semanas, será possível manter a unidade do grupo político no Paraná, apostando no diálogo para conciliar os interesses eleitorais. No entanto, se Ratinho decidir prosseguir como pré-candidato à Presidência, ele terá que lidar com a relação do PSD com o PL no estado, uma vez que isso pode significar a concorrência direta com Flávio Bolsonaro.
Na eleição de 2024, Ratinho Junior havia traçado um acordo político com o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que renovou a aliança firmada em 2018. Com a coligação PSD-PL, o grupo político da família Bolsonaro poderia apoiar o candidato escolhido por Ratinho para a eleição ao governo estadual, garantindo assim um palanque para o filho 01 de Bolsonaro, detentor de um legado ainda forte entre seus seguidores.
Possíveis Mudanças na Aliança Partidária
Se Ratinho Junior entrar na disputa presidencial, a dinâmica da eleição se tornará mais complexa, especialmente com Flávio Bolsonaro também na corrida. Integrantes do PL comentaram que o filho do ex-presidente está articulando um palanque próprio no Paraná, enquanto o governador adia seu posicionamento. A expectativa da cúpula nacional do PL é que Ratinho se pronuncie sobre sua decisão, especialmente considerando uma reunião que já foi adiada por duas vezes.
Na última sexta-feira, Ratinho negou ter um encontro agendado com Flávio Bolsonaro, apesar das especulações. Em outro movimento estratégico, Alexandre Curi está considerando uma migração do PSD para o Republicanos, o que poderia significar um lançamento de sua pré-candidatura ao governo paranaense através dessa nova legenda. Esse cenário mudaria substancialmente as alianças em jogo e a estrutura política no estado nos próximos meses.
