Desafios e Importância da Atuação das Mulheres na Política Brasileira
No dia em que se comemora a conquista do voto feminino no Brasil, a diretora da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Rosilene Corrêa, ressalta a relevância e as barreiras enfrentadas pelas mulheres na esfera política. Participar da política vai muito além de exercer o direito ao voto. É crucial garantir que todas as mulheres possam se desenvolver plenamente como agentes políticas e influenciar nas decisões que afetam suas vidas e suas comunidades. Apesar dos avanços, a realidade é que essas oportunidades ainda são limitadas.
Um dos maiores obstáculos para a atuação política feminina é a desigualdade na divisão do trabalho doméstico. Historicamente, são as mulheres que assumem a responsabilidade pelas tarefas do lar, como cuidar de crianças, idosos e doentes, além de realizar atividades domésticas, o que as impede de dedicar tempo a compromissos políticos, como reuniões e mobilizações em movimentos comunitários, estudantis, sindicatos e associações.
Além das barreiras estruturais, as mulheres que decidem participar da política enfrentam riscos significativos, como a violência política de gênero. Isso se manifesta por meio de intimidações, desqualificações e agressões, que visam coibi-las de adentrarem nesses espaços. Esse contexto de opressão resulta na escassez de mulheres em cargos de poder. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, apenas 91 mulheres foram eleitas nas últimas eleições, representando apenas 17,7% dos 513 parlamentares. Em contrapartida, 82,3% dos integrantes daquela casa são homens.
Embora os números ainda sejam modestos, é importante notar que houve um aumento significativo em relação a anos anteriores. Em 2002, por exemplo, somente 42 mulheres haviam sido eleitas. O crescimento no número de representações femininas é um reflexo direto da luta organizada por mulheres que reivindicam espaços e conquistam mecanismos legais para garantir sua participação nas eleições.
É imprescindível que mais mulheres ocupem posições de destaque na política, uma vez que representam mais da metade da população brasileira e possuem uma experiência única que pode contribuir para a formulação de políticas públicas eficazes. A ex-presidenta chilena Michelle Bachelet resumiu bem essa expectativa ao afirmar que “quando uma mulher entra na política, muda a mulher; mas quando muitas mulheres entram na política, muda a política”.
Outro ponto a ser considerado é a essência democrática da representação. Até quando o Congresso Nacional continuará a ser dominado por uma maioria de homens brancos e ricos? A quem essas figuras realmente representam? A diversidade é fundamental para uma democracia saudável, e a presença de mulheres é essencial para refletir as necessidades e vozes de toda a população.
Diante de todos esses desafios, é evidente que a participação política das mulheres é crucial. É necessário combater vigorosamente todos os mecanismos do machismo estrutural que buscam excluí-las desse espaço. Historicamente, as mulheres brasileiras têm demonstrado resiliência e comprometimento em suas lutas, e é por meio da organização e mobilização que continuarão a superar obstáculos e a conquistar seus direitos.
