Desafios para a Pré-Candidatura de Moro
A federação União Progressista, formada pela união entre a União Brasil e o Progressistas, vem dando sinais de um estreitamento de laços com o governo federal, o que acaba complicando a pré-candidatura do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) no Paraná. Este movimento se torna ainda mais significativo, visto que Moro se posiciona como um opositor ao presidente Lula (PT) no estado. Recentemente, uma reunião entre Edinho Silva (PT), Ciro Nogueira (Progressistas) e Antonio Rueda (União Brasil) se concentrou em discutir estratégias para palanques regionais e possíveis composições visando 2026, reforçando a ideia de que a direção nacional está mais preocupada com pragmatismo e sobrevivência eleitoral do que com questões morais.
Moro sente o impacto dessa mudança, já que, na política prática, a federação não é um palanque de contestação, mas sim um ambiente onde as negociações são cruciais. O sinal vindo de Brasília foi claro: o PT iniciou conversas com os líderes do PP e do União Brasil, buscando mapear alianças e apaziguar tensões com o governo Lula, especialmente em estados onde há uma forte presença do lulismo.
O Cenário Político no Paraná
Para Moro, a situação se complica em duas frentes. A federação pode facilitar arranjos locais, porém, quando a direção nacional opta por não se opor ao Planalto, os diretórios estaduais se sentem mais à vontade para apoiar candidatos que sejam menos conflitantes e mais negociáveis. Em território paranaense, essa tendência encontra um terreno fértil, já que o Progressistas local já considerou a candidatura de Moro ao Palácio Iguaçu como indesejável, levando a um impasse onde dirigentes defendem a escolha de nomes que sejam mais agregadores.
Nos bastidores, um nome que vem ganhando espaço é o de Rafael Greca, do PSD, que começou a ser mencionado como uma alternativa do PP para desbloquear a chapa e diminuir os custos de um confronto político, enquanto Moro se vê isolado dentro dessa nova configuração federativa. Essa movimentação, conforme analisado no Blog do Esmael, parece ser uma articulação bem pensada, com um prazo eleitoral se aproximando e uma oferta de protagonismo imediato para aqueles dispostos a entrar na disputa.
O Impacto da Distensão Política
O encontro entre Edinho Silva, Ciro Nogueira e Antonio Rueda foi interpretado em Brasília como uma tentativa de aumentar a distensão política. A imprensa já registrou que, após um período de rompimento retórico com o governo, os líderes reduziram suas críticas públicas, abrindo espaço para uma negociação mais ampla. No entanto, enquanto a cúpula se esforça para suavizar as tensões, a base local, por sua vez, se mobiliza. No Paraná, o efeito colateral dessa estratégia é evidente: a postura anti-Lula de Moro se torna um empecilho para uma federação que busca dialogar com diferentes grupos políticos e maximizar sua representatividade.
Moro, que tenta se posicionar como um adversário incisivo de Lula, enfrenta um paradoxo que volta a ser discutido abertamente. O ex-presidente ficou 580 dias preso em Curitiba, em um caso relacionado à Lava Jato, e suas condenações foram posteriormente anuladas pelo STF, o que traz à tona um histórico que pesa tanto para a esquerda, que o vê como um símbolo de abuso, quanto para o centro político, que teme a criação de ruídos constantes que poderiam dificultar a convivência institucional. A federação, por sua natureza, foi criada para mitigar conflitos e não ampliá-los.
Escolhas Críticas para 2026
O cenário no Paraná está repleto de pré-candidaturas e interesses divergentes, com o governo buscando manter o controle da sucessão e a oposição tentando encontrar espaço para uma candidatura viável ao segundo turno. Segundo o Blog do Esmael, a atual disputa política é mais uma batalha entre grupos do que um duelo entre figuras individuais. Nesse contexto, a federação tende a buscar candidatos que possam abrir portas em vez de fechá-las, algo que Moro, ao se definir como um “anti-Lula” inabalável, acaba restringindo as possibilidades de diálogo com setores que orbitam em torno de Brasília, além de criar tensões no PP paranaense, que não deseja se comprometer com uma candidatura que possa aumentar o isolamento político da sigla.
A lógica é clara: se a União Progressista busca uma postura neutra a nível nacional e uma aproximação regional com o PT, é improvável que o Paraná seja uma exceção. Enquanto Moro aposta em uma estratégia de confronto, a federação se estruturou como um cálculo político, não um palco para cruzadas ideológicas. Se União Brasil e PP pretendem reabrir canais de diálogo com o lulismo na cúpula, o senador corre o risco de se tornar prisioneiro de seu próprio discurso no estado. Sua pré-candidatura pode não apenas enfrentar a falta de votos, mas também a ausência de apoio interno necessário para viabilizar alianças e investimentos. Sem a anuência da federação e sem bases sólidas para construir coligações, a candidatura de Moro pode acabar se tornando apenas um projeto na prancheta.
Diante desse panorama, Moro poderá ser levado a buscar uma nova legenda, possivelmente uma que não tenha o mesmo peso político, caso queira continuar alimentando seu sonho de disputar o governo paranaense. Para o senador, 2026 é um ano que se conecta de maneira intrínseca a 2030, pois em quatro anos ele terá que renovar seu mandato, e a eleição de outubro servirá como um teste preliminar para a próxima corrida eleitoral. Essa encruzilhada pode definir não apenas seu futuro imediato, mas toda a sua trajetória política.
