Reflexões sobre o Futuro da Arte
Após um hiato de cinco anos, a Bienal de Curitiba retorna ao cenário cultural brasileiro em junho deste ano. Tradicionalmente reconhecida como uma das principais mostras de artes visuais do país, a edição de 2024 traz à tona um tema atual e provocador: a relação entre a inteligência artificial e a experiência humana. A última edição, que ocorreu em formato online em 2021, deixou saudades, mas o evento presencial promete ser ainda mais impactante.
Com o título “Limiares”, a Bienal será organizada pela argentina Adriana Almada e pela brasileira Tereza de Arruda. A exposição acontecerá em diversos locais da capital paranaense, incluindo o icônico Museu Oscar Niemeyer, cuja arquitetura marcante se assemelha a um olho que observa a cidade. O evento reunirá artistas que explorarão os limites da resistência humana diante do avanço das máquinas, questionando as fronteiras cada vez mais difusas entre o que é natural e artificial, biológico e sintético.
Embora o tema possa não parecer inédito, sua relevância é inegável em um mundo em constante transformação, especialmente neste contexto pós-pandêmico marcado por conflitos globais. Recentemente, outras mostras, como a Bienal do Mercosul em Porto Alegre e o Panorama da Arte Brasileira no Museu de Arte Moderna de São Paulo, também abordaram as intersecções entre natureza e tecnologia, destacando a fragilidade da condição humana frente à crescente presença dos dados e da automação.
De acordo com as curadoras, este período da história pode ser visto como uma oportunidade única para a arte não apenas refletir sobre o mundo, mas também agir como um catalisador na organização da visualidade. A capacidade da arte de manipular algoritmos se contrapõe à sua condição de vítima deles, pois esses algoritmos podem ocultar ou enfatizar interpretações do mundo de acordo com as informações de cada espectador.
O retorno da Bienal de Curitiba representa, portanto, não apenas a reabertura de um importante espaço cultural, mas também um convite para reflexões profundas sobre a era digital. A interação entre seres humanos e máquinas nunca foi tão evidente, e a arte surge como um meio poderoso para questionar e entender essas dinâmicas.
Ao longo da Bienal, os visitantes poderão vivenciar uma série de trabalhos que discutem essa relação ambígua, estimulando um diálogo entre o que consideramos essencialmente humano e as inovações tecnológicas que, cada vez mais, fazem parte do nosso cotidiano. A expectativa é que a Bienal provoque não apenas uma apreciação estética, mas também uma reflexão crítica sobre o futuro da convivência entre arte e inteligência artificial.
