Operações da Polícia Federal em Foco
A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o Caso Master avança, levando a atenção para a Amprev (Amapá) e o Rioprevidência (RJ). O enredo, que envolve os fundos de previdência, expõe a vulnerabilidade das aposentadorias públicas e um complexo esquema de assinaturas que precisa ser cuidadosamente desvendado.
A Operação Zona Cinzenta, em Macapá, está centrada no diretor-presidente da Amprev e em membros do comitê de investimentos, devido a aplicações em letras financeiras do Banco Master, que não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Investigações da PF e Ações no Amapá
A PF está apurando as aprovações e as movimentações dos investimentos da Amprev em letras financeiras do Banco Master, com buscas autorizadas pela Justiça Federal no Amapá. As atas de reuniões do Conselho Estadual de Previdência revelam um cenário preocupante, onde conselheiros pedem esclarecimentos sobre o direcionamento de R$ 400 milhões ao Master. O documento ainda menciona que a estratégia de renda fixa previa a alocação de 18% do patrimônio líquido em letras financeiras, antes da escolha das instituições que receberiam esses recursos.
Além disso, outra ata, datada após a liquidação extrajudicial, menciona a criação de um grupo de trabalho para lidar com questões relacionadas ao caso Master, registrando decisões internas e justificativas de que os investimentos seriam “residuais” na carteira. O mesmo documento mostra que ao longo de 2024, houve discussões sobre resgates e aplicações em letras financeiras do Master, assim como debates sobre diligências e visitas técnicas.
Operação Barco de Papel no Rio de Janeiro
Em um movimento paralelo, a PF deflagrou a Operação Barco de Papel no Rio de Janeiro, com o intuito de investigar crimes financeiros relacionados aos investimentos do Rioprevidência em letras financeiras do Master. A PF estima que cerca de R$ 970 milhões foram aplicados entre novembro de 2023 e julho de 2024. Após as investigações, o governo estadual anunciou a exoneração do presidente do Rioprevidência e abriu um procedimento interno para verificar esses investimentos.
Um Buraco Financeiro de Quase R$ 2 Bilhões
O escândalo não se limita a um único estado. Reportagens fundamentadas em dados do Ministério da Previdência indicam que aproximadamente R$ 1,8 bilhão foram aplicados por institutos de previdência estaduais e municipais em letras financeiras do Master, sem a devida cobertura do FGC, entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. Análises também apontam que 18 fundos de servidores teriam feito investimentos próximos de R$ 2 bilhões em papéis do Master, aumentando assim os problemas de governança e fiscalização.
Tribunal de Contas do Paraná Também Entra na Jogada
No Paraná, o Tribunal de Contas do Estado instaurou uma apuração sobre a aplicação de R$ 4 milhões do Funprev de Imbituva em letras financeiras do Banco Master. A Paranaprevidência, por sua vez, divulgou uma nota afirmando que não possui investimentos diretos ou indiretos em produtos emitidos pelo banco mencionado.
É importante destacar que quando o risco do setor privado invade os fundos da previdência pública, isso não deve ser visto como um “investimento arrojado”, mas sim como um teste de estresse na gestão do dinheiro coletivo. O Caso Master exige transparência, responsabilização e uma auditoria que vá além das medições superficiais.
Continue a acompanhar os desdobramentos desta complexa trama política e financeira.
