Mercado em Alta: O Que Está Acontecendo com o Feijão?
O mercado de feijão no Brasil começa 2026 com uma valorização notável, conforme apontam os dados do Indicador Cepea/CNA. Essa alta é resultado de uma oferta limitada e do ritmo lento da colheita da primeira safra, que impacta diretamente os preços do produto. Entre os dias 23 e 30 de janeiro, a maioria das regiões acompanhadas registrou aumentos significativos nos preços, destacando-se o feijão preto e o feijão carioca de melhor qualidade. Este cenário se contrapõe à situação observada em janeiro de 2025, quando os preços estavam sob pressão de queda.
O feijão carioca, em particular, teve um desempenho surpreendente, alcançando a maior valorização dos últimos quatro meses. Segundo o Cepea/CNA, esse tipo de feijão registrou uma alta mensal de 4,9% em relação a dezembro, e os preços estão cerca de 10% acima dos valores do mesmo mês do ano anterior. As regiões do Noroeste de Minas Gerais, Itapeva (SP) e Curitiba (PR) foram as que mais se destacaram, onde a escassez de lotes de alta qualidade (notas 9 ou superiores) fez com que os preços aumentassem em mais de 10% apenas na última semana de janeiro.
Feijão Preto: Valorização e Perspectivas
Além do feijão carioca, o feijão preto tipo 1 também viu uma valorização significativa. A combinação de uma demanda aquecida e a oferta restrita elevaram os preços em Curitiba (PR) em impressionantes 9,1% na última semana do mês, impulsionados por embarques interestaduais. Na média mensal, os valores ficaram quase 14% acima de dezembro, atingindo níveis que não eram vistos desde abril de 2025. Contudo, é importante destacar que ainda estão cerca de 16% abaixo dos patamares registrados em janeiro do ano passado.
Os lotes de feijão carioca com notas intermediárias, de 8,0 e 8,5, também apresentaram altas generalizadas, o que resultou na redução do diferencial de preços em relação aos grãos de qualidade superior. Na média de janeiro, esses lotes atingiram os maiores valores desde o início da série histórica em setembro de 2024, com uma elevação de 5,1% frente a dezembro e um avanço impressionante de 19,3% na comparação anual.
Olhando para o Futuro
As perspectivas para o mercado do feijão são otimistas no curto prazo, segundo analistas do setor. A tendência de valorização deve continuar enquanto persistirem o ritmo lento da colheita, o baixo volume de estoques e a demanda firme tanto por parte dos consumidores quanto da indústria. Fatores climáticos e o avanço da colheita da primeira safra serão cruciais para a formação dos preços em fevereiro, especialmente nas principais regiões produtoras do Sul e Sudeste do Brasil.
