Prefeito Defende Protocólos e Respeito nas Internações
Nesta segunda-feira (02), durante a abertura do ano legislativo na Câmara Municipal, o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) abordou a polêmica em torno da internação involuntária de pessoas em Curitiba. A iniciativa tem gerado forte oposição de movimentos sociais e organizações defensoras dos direitos humanos, que a consideram uma violação de direitos.
Em seu discurso, Pimentel afirmou que não tolera a “lacração” nas redes sociais, referindo-se às críticas dirigidas à política de internações. Segundo ele, as ações seguem um rigoroso protocolo que atende a oito leis federais. Quando questionado pelo Plural se as críticas das organizações de direitos humanos poderiam ser vistas como “lacração”, o prefeito respondeu: “O trabalho que é feito com responsabilidade, onde ele defende o que acredita e traz a sugestão, isso não é lacração. Isso é democracia. Eu aceito essa crítica construtiva, porque sou do diálogo”.
No entanto, ele expressou seu descontentamento com a disseminação de informações falsas nas redes sociais sobre o tema. Pimentel enfatizou: “O que não pode é pegar algumas das redes sociais e fazer desinformação atrás de likes, porque é candidato a alguma coisa. O trabalho da internação involuntária é feito com respeito. É uma exceção, não regra. Ela é o fim, não o começo”.
Até o presente momento, 19 pessoas foram internadas involuntariamente em Curitiba, mas a falta de transparência sobre o tratamento dessa população gera preocupações. O prefeito explicou que as internações ocorrem apenas com laudo de um médico psiquiatra da prefeitura e que essa medida é considerada a última alternativa para o atendimento.
Após a internação, os pacientes passam por avaliações regulares até serem liberados, momento em que são encaminhados para a Rede de Atenção Psicossocial (CAPs) da Prefeitura de Curitiba.
Reações de Movimentos Sociais
Após a implementação da política de internação involuntária, o Movimento Luta Antimanicomial se manifestou em nota, criticando a atitude da prefeitura. O documento ressalta que a medida ocorre em um contexto de denúncias contínuas de negligência e violência relacionada à saúde mental no Paraná. Um caso emblemático mencionado é a morte de um jovem, supostamente pela Polícia Militar, em uma crise psicótica durante as festividades de Natal, na presença da sua família.
A nota também menciona as Instituições Terapêuticas, habitualmente ligadas a igrejas evangélicas, e alerta que ao validar esse modelo de internação, o Poder Público estabelece um perigoso precedente de controle e punição, utilizando critérios políticos, morais e ideológicos para o confinamento de indivíduos considerados indesejáveis.
Recentemente, uma ação violenta da Polícia Militar no bairro Parolin, que resultou no espancamento de várias pessoas em situação de rua, acendeu ainda mais discussões sobre a política de internações involuntárias. De acordo com relatos obtidos pelo Plural, muitos acreditam que as agressões têm o intuito de provocar comportamentos violentos nas vítimas, servindo de justificativa para internações forçadas.
