Desafios na Corrida ao Governo do Paraná
As indefinições dentro do Partido Social Democrático (PSD) liderado pelo governador Ratinho Junior, juntamente com a recusa do Partido Progressista (PP) em apoiar o senador Sergio Moro (União Brasil), criam um cenário turbulento a apenas dois meses do prazo para filiações partidárias no estado. Essa situação gera incertezas na disputa pelo Palácio Iguaçu, que há mais de 15 anos é governado por forças da direita e centro-direita, marcada pelas gestões de Beto Richa (PSDB) e Ratinho Junior.
Neste contexto, a lista de pré-candidatos ao governo pelo PSD inclui três nomes, mas a escolha final cabe ao governador, que já demonstrou preferência pelo secretário das Cidades, Guto Silva. Entretanto, essa escolha ainda não foi confirmada publicamente. A reportagem obteve informações de que Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, e Rafael Greca, secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, estão considerando deixar o partido caso não sejam contemplados na disputa.
Ambos os pré-candidatos estão sendo assediados por outras legendas do espectro político da direita. Curi, que tem cultivado uma rede de aliados nas prefeituras, e Greca, ex-prefeito de Curitiba por três mandatos, veem suas opções diminuírem à medida que o tempo avança.
Ameaças e Oportunidades para Moro
Do lado oposto, correligionários do PSD estão preocupados com a possibilidade de que a falta de definição favoreça Sergio Moro, que já se posiciona como pré-candidato ao governo desde a eleição municipal de 2024. Contudo, a situação de Moro permanece complexa. Recentemente, ele entrou em um novo ano sem a certeza de continuar no Partido União Brasil, após um veto do PP a sua candidatura.
O deputado federal Ricardo Barros anunciou em dezembro que o diretório do PP no Paraná não homologaria a candidatura de Moro. Na mesma ocasião, o presidente nacional do partido, Ciro Nogueira, deixou claro que não pretende interferir na posição local, gerando um impasse, pois PP e União Brasil formam a federação conhecida como União Progressista, o que implica que decisões sobre candidaturas devem ser tomadas em conjunto.
Fontes indicam que o PP está considerando três possíveis cenários: apoiar o candidato do PSD escolhido por Ratinho Junior, lançar um nome próprio — como a ex-governadora Cida Borghetti, esposa de Barros, ou o ex-prefeito de Londrina, Marcelo Belinati —, ou oferecer a filiação a Greca, colocando-o na disputa.
Alianças e Estratégias na Esquerda
Enquanto isso, Sergio Moro conta com o suporte do presidente nacional do União Brasil, Antônio de Rueda, mas enfrenta dificuldades em migrar para outro partido. O PL do ex-presidente Jair Bolsonaro já manifestou apoio ao candidato que será escolhido pelo governador, enquanto o partido Novo ensaiou uma pré-candidatura com Paulo Martins, atual vice-prefeito de Curitiba, embora não descarte a possibilidade de aliança com o PSD.
No campo da esquerda e centro-esquerda, a situação é mais clara. O PT optou por apoiar a pré-candidatura do deputado estadual Requião Filho, do PDT. Essa decisão é uma repetição da estratégia adotada pelos petistas nas últimas eleições para a Prefeitura de Curitiba em 2024, quando decidiram apoiar uma chapa de aliados ao invés de lançar uma candidatura própria.
A opção do PT por uma aliança no Paraná reflete uma tentativa de reaproximação com a família Requião. Em 2022, o ex-governador e ex-senador Roberto Requião se filiou ao PT e se lançou na disputa pelo Executivo estadual, buscando criar uma plataforma regional para o presidente Lula. Entretanto, no início de 2024, ele deixou o partido, alegando falta de reconhecimento após as eleições, e se juntou ao PDT, com seu filho se tornando pré-candidato ao governo.
