Inovação na Secagem da Pimenta-do-Reino
A secagem da pimenta-do-reino é uma etapa crucial após a colheita. Tradicionalmente, esse processo é realizado ao sol ou com secadores a lenha. Contudo, um grupo de produtores do Norte do Espírito Santo, entre eles Sávio Torezani, de Pinheiros, está explorando alternativas mais eficientes. Sávio, que cultiva a especiaria há cinco anos, decidiu investir na instalação de um secador a gás, uma tecnologia que promete revolucionar a qualidade do produto.
Entre os principais benefícios do novo sistema, Sávio destaca a uniformidade na secagem, garantida por uma temperatura constante e controlada eletronicamente. Além disso, essa técnica reduz significativamente o risco de contaminação por antraquinona, uma substância potencialmente cancerígena. ‘A ausência de fumaça da queima da lenha é um grande diferencial. A qualidade da pimenta permanece intacta, e o produto do secador a gás é tão bom quanto aquele seco no terreiro’, explica o produtor.
Qualidade Aumentada e Preço Justo
O engenheiro agrônomo Welington Secundino, que possui mestrado em Agricultura Tropical, corrobora a avaliação de Sávio. ‘O controle rigoroso da temperatura durante a secagem é essencial para minimizar os riscos relacionados à antraquinona, algo que é mais complicado de se conseguir com a secagem a lenha. Portanto, vejo a secagem a gás como uma excelente alternativa. Além disso, exportadores tendem a pagar mais por pimentas de qualidade superior’, afirma.
Com isso, Sávio espera aumentar sua margem de lucro. ‘A expectativa é vender a pimenta por pelo menos R$ 1,50 a mais por quilo em comparação à pimenta comum seca a lenha’, revela. No entanto, ele faz uma ressalva importante. ‘O custo operacional do secador a gás é mais elevado do que o do processo a lenha. Assim, é crucial que o produtor tenha um comprador pré-estabelecido que compreenda e agregue esse valor adicional, para evitar prejuízos.’
Investimento e Capacidade do Secador
O investimento em tecnologia feita por Sávio foi de aproximadamente R$ 50 mil. O secador que ele adquiriu tem uma capacidade de processamento de 10 mil litros de pimenta, o que corresponde a cerca de 7 mil quilos por ciclo de secagem. O processo completo leva, em média, de nove a dez horas, até que a umidade atinja o nível ideal exigido pelo mercado.
A Importância do Manejo na Qualidade do Produto
Welington também enfatiza que a qualidade da pimenta está intimamente relacionada ao manejo da secagem, independentemente do sistema adotado. No entanto, ele nota que muitos produtores, assim como no cultivo do café, carecem de uma visão mais apurada sobre o tema e hesitam em realizar investimentos necessários.
‘A maioria dos produtores ainda não se preocupa tanto com a qualidade, pois muitos acreditam que conseguirão vender o produto de qualquer forma. Contudo, aqueles que almejam agregar valor ao seu produto precisam ter um cuidado redobrado’, alerta Welington.
Ele complementa que cerca de 70% dos produtores de pimenta pertencem à agricultura familiar. Desses, aproximadamente 30% ainda secam a pimenta no chão, utilizando lonas ou terreiros inadequados, enquanto a maior parte faz uso apenas de secadores a lenha. Essa falta de preocupação com a qualidade pode ser um obstáculo para a valorização da pimenta brasileira no mercado.
