O Poder Simbólico do Diabo na Política
A figura do diabo, desde tempos imemoriais, é carregada de simbolismos que transcendem crenças religiosas e se infiltram na política. Na Bíblia, sua primeira menção aparece na forma da serpente no Gênesis, simbolizando a tentação e o mal. Segundo o psicólogo Eduardo Afonso, que também é pós-graduando em psicanálise pela PUC Goiás, essa figura carrega séculos de medo e, mesmo que sua existência não seja aceita, seu peso simbólico provoca reações. “O medo antecede a razão, e o diabo sabe disso há muito tempo”, afirma.
No dia 8 de junho de 2025, em um ato na Avenida Paulista, São Paulo, o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) evocou essa figura em um discurso inflamado. Ele declarou: “O número de pessoas que apoiam o Bolsonaro cresceu e ultrapassou as que apoiam o satanás do Lula”, provocando reações entusiásticas da multidão. Nesse contexto, o diabo se torna uma personificação do inimigo, simplificando um adversário político em uma figura maligna que não merece debate, mas enfrentamento.
A estratégia de demonizar o oponente é clara; associar alguém à corrupção gera indignação, mas rotulá-lo como diabólico provoca pânico. Uma vez que o medo é acionado, o debate fica empobrecido e a adesão é rápida. Em um momento emblemático, o deputado José Medeiros (PL-MT) referiu-se a membros do PSOL e do PT como “o diabo do padre” no plenário da Câmara, destacando a frequência com que termos relacionados ao diabo têm sido utilizados em discursos políticos.
