Novo projeto de BRT promete agilidade e redução do tempo de viagem na Grande Curitiba
O Governo do Paraná anunciou a contratação, ainda no primeiro semestre de 2026, do projeto para a implantação do sistema de BRT (Ônibus de Trânsito Rápido) que ligará Curitiba a Colombo, ao norte, e Curitiba a Fazenda Rio Grande, ao sul. O governador Carlos Massa Ratinho Junior fez o anúncio na última sexta-feira (23).
Com um investimento inicial de R$ 6,1 milhões somente na fase de projeto, o edital referente a essa iniciativa foi publicado em dezembro e as propostas deverão ser apresentadas até 25 de fevereiro. Este empreendimento é considerado um dos mais significativos para a mobilidade urbana na Grande Curitiba, possibilitando uma conexão mais eficiente do transporte coletivo ao longo do Eixo Norte-Sul.
Os dois trechos do projeto terão uma extensão aproximada de 23 quilômetros em áreas urbanas. A ligação entre Curitiba e Colombo contará com 5,9 quilômetros de faixas exclusivas na BR-476, a partir da Estação Atuba até as proximidades do Terminal Guaraituba. Por sua vez, o corredor entre Curitiba e Fazenda Rio Grande terá 17,5 quilômetros na BR-116, iniciando após o último retorno operacional da Linha Verde e terminando no bairro Estados.
De acordo com o governador Ratinho Junior, a proposta visa criar uma grande artéria de transporte público, promovendo mais agilidade, reduzindo o tempo no trânsito e oferecendo maior conforto à população. “Além de tudo, estamos pensando em inovação. No futuro, haverá a possibilidade de integrar o Bonde Urbano Digital a esse corredor, seguindo a experiência já em andamento entre Pinhais e Piraquara”, revelou.
O projeto ambiciona uma drástica redução no tempo de deslocamento. Atualmente, o trajeto entre o Terminal de Fazenda Rio Grande e o Terminal do Pinheirinho pode levar até uma hora durante os horários de pico. Com a construção do corredor exclusivo, a expectativa é que essa viagem seja realizada em apenas 15 minutos, com uma velocidade média de até 60 km/h.
Na BR-476, em Colombo, a demanda por transporte público é ainda mais notória, com a sobreposição de 10 a 26 linhas de ônibus – o maior índice entre as vias com potencial para a criação de corredores na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Os intervalos entre as linhas de ônibus variam de 10 a 12 minutos, revelando a alta procura pela mobilidade urbana.
Gilson Santos, diretor-presidente da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep), destacou que a Região Metropolitana de Curitiba já possui uma população superior à da capital e continuará a crescer, especialmente na região sul. “Quando a concessão dessa rodovia foi realizada no passado, já havia previsão para a criação desse corredor. Agora, estamos efetivamente executando essa ideia”, afirmou. Ele complementou que serão estudadas várias opções para linhas de ônibus, mas o espaço poderá ser utilizado futuramente pelo Bonde Urbano Digital ou pelo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
Para Guto Silva, secretário de Cidades, o principal benefício dessa nova infraestrutura será a economia de tempo para os trabalhadores. “Colombo e Fazenda Rio Grande são duas das cidades que mais transportam trabalhadores diariamente para Curitiba. A criação deste novo eixo, com canaletas exclusivas e ônibus rápidos, permitirá uma significativa redução no tempo de deslocamento”, analisou Silva.
O eixo Sul do projeto está dividido em quatro subtrechos: Pinheirinho/Campo de Santana (7,20 km); Campo de Santana/Rio Iguaçu (4,66 km); Rio Iguaçu/Terminal Fazenda Rio Grande (2,69 km); e Terminal Fazenda Rio Grande/Estados (3,26 km). O eixo Norte é subdividido em três subtrechos: Atuba/Rio Atuba (1,34 km); Rio Atuba/Alto Maracanã (1,80 km); e Alto Maracanã/Guaraituba (3,77 km).
O estudo de viabilidade abrangerá todos os subtrechos, buscando as melhores soluções para as particularidades de cada um. Para a transposição dos Contornos Leste e Sul de Curitiba, por exemplo, será avaliada a possibilidade de construção de um novo viaduto entre os dois existentes, ou o alargamento dos já existentes.
Além disso, o projeto prevê a construção de uma Estação de Integração no Ceasa e outras em diversos bairros das três cidades, incluindo locais como Pompeia, Caximba, Campo do Santana, Áustria, Nações, Gralha Azul, Parque Verde, Atuba, Rio Verde, Maracanã, Fátima e São Gabriel. O planejamento também inclui intersecções em nível e desnível, requalificações fluviais e adaptações nos terminais existentes.
Todo o estudo será desenvolvido com base na Metodologia BIM (Building Information Modeling) e incluirá análises de impacto socioeconômico, estudos sobre rios, interferências urbanas, desapropriações e aspectos geológicos. As licitações para a execução das obras devem ser iniciadas assim que os primeiros projetos forem concluídos.
