Resultados do Laudo Técnico Sobre o Tornado
Nesta quinta-feira (15), o Governo do Estado do Paraná, através da Secretaria do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) e do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental (Simepar), apresentou à prefeita de São José dos Pinhais, Nina Singer, o laudo técnico definitivo sobre o tornado que atingiu a cidade no final da tarde do dia 10 de fevereiro. O documento foi entregue pelo secretário Rafael Greca e pelo diretor-presidente do Simepar, Paulo de Tarso.
O relatório classifica o evento como tornado de categoria F2 na Escala Fujita, com ventos que variavam entre 180 km/h e 253 km/h. Embora tenha registrado os valores mais baixos dessa faixa, o fenômeno causou danos significativos e foi descrito como um evento atípico e pontual.
“A preparação das cidades para enfrentar eventos extremos é fundamental. Estamos empenhados em tornar as cidades cada vez mais resilientes, investindo em planejamento, prevenção e rapidez nas respostas a desastres. Isso envolve fortalecer as defesas civis, criar fundos de emergência e educar a população”, ressaltou o secretário Rafael Greca.
Impactos e Condições do Fenômeno
De acordo com Paulo de Tarso, o episódio não representa uma tendência para a região. Ele enfatizou que o tornado foi um fenômeno pontual, ressaltando que São José dos Pinhais e a Região Metropolitana de Curitiba não são conhecidas por recorrência de tornados no Paraná. “As condições meteorológicas que propiciaram a formação deste tornado foram extremamente específicas, incluindo calor, umidade, instabilidade atmosférica e a dinâmica dos ventos”, explicou Tarso.
A prefeita Nina Singer destacou a relevância do relatório, afirmando que ele oferece segurança, orienta decisões e é essencial para os esforços de reconstrução. “Agradeço a todos que se mobilizaram para nos ajudar durante este momento desafiador, incluindo servidores, equipes de emergência, voluntários e a comunidade”, disse a prefeita.
Trajetória do Tornado e Ações de Resposta
Segundo informações do Simepar, o tornado se originou no bairro Guatupê e percorreu pouco mais de um quilômetro, movendo-se de nordeste para sudoeste, da divisa com Piraquara e Pinhais até a Rua do Girassol. O fenômeno exibiu comportamento intermitente, com a nuvem funil tocando o solo em determinados momentos e se elevando em outros, resultando em danos concentrados.
A classificação do tornado foi fruto de uma força-tarefa multidisciplinar que teve início logo após o evento. As equipes utilizaram dados de radares meteorológicos do Paraná e de estados vizinhos, imagens aéreas obtidas por drones equipados com sensor Lidar, além de vistorias de campo. Os meteorologistas analisaram a área afetada, verificando destelhamentos, danos estruturais, queda de árvores e o deslocamento de objetos, e ouviram relatos da população local.
Com relação aos impactos, a Defesa Civil Estadual informou que cerca de 350 residências foram afetadas, impactando aproximadamente 1.200 pessoas, com duas vítimas reportadas com ferimentos leves. Em resposta imediata ao desastre, o Governo do Estado enviou 2.600 telhas para auxiliar as famílias afetadas e apoiou ações para restabelecer a energia elétrica, remover árvores e liberar as vias.
O relatório também coloca o tornado dentro de um contexto de forte instabilidade atmosférica presente no Paraná naquele dia, caracterizado por uma alta disponibilidade de calor e umidade, além da influência de um sistema de baixa pressão. A célula de tempestade intensa que originou o tornado passou por Almirante Tamandaré, Colombo e Curitiba antes de atingir São José dos Pinhais, seguindo depois em direção ao Litoral.
