Movimentação no Cenário Político Paranaense
O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Alexandre Curi, do PSD, mantém firme sua pré-candidatura ao governo do estado. Em conversas nos bastidores, Curi demonstra que não se deixará abalar pela movimentação de Guto Silva, também do PSD, que acenou com a possibilidade de Deltan Dallagnol, do Novo, ser seu candidato a vice. Vale lembrar que Dallagnol se tornou inelegível após ter seu registro cassado pelo TSE em maio de 2023.
No início deste ano, durante encontros informais em Caiobá, onde a política paranaense frequentemente se discute fora das formalidades, a voz corrente era a de que Curi não tem intenção de se afastar do Palácio Iguaçu. Quando questionado sobre os rumores de uma vitória já garantida, o curismo, como é conhecido, respondeu sucintamente: “tem carta na manga”.
Alexandre Curi, que preside a Assembleia Legislativa no biênio 2025-2027, chegou ao cargo após obter votação unânime entre seus pares, destacando-se como um forte representante com uma base sólida espalhada por todo o estado.
Desafios e Estratégias de Guto Silva
Guto Silva, por sua vez, tornou-se secretário das Cidades após a reforma do secretariado realizada por Ratinho Júnior em março de 2025. Essa pasta se transformou em um espaço de visibilidade tanto para gestão quanto para disputas políticas. Entretanto, seu entorno está imerso em polêmicas, com denúncias sérias levantadas pela oposição.
A movimentação em torno de Deltan Dallagnol, segundo aliados de Curi, parece mais uma “operação narrativa” do que uma estratégia sólida. O objetivo seria alterar a pauta política e tentar desestabilizar o domínio do senador Sergio Moro, do União, sobre o discurso anticorrupção, em um cenário de direita cada vez mais fragmentada. Vale lembrar que Moro é conhecido por seu papel na Lava Jato.
No entanto, Curi acredita que barulhos não decidem convenções ou garantem vitórias eleitorais. Ele se prepara para três cenários distintos, todos desfavoráveis para aqueles que acreditam em imposições.
Cenários de Alexandre Curi
O primeiro cenário proposto por Curi é a formação de uma chapa “da casa”, com o apoio do governador Ratinho Júnior e um vice com perfil técnico e alinhado ao governo. Aliados sugerem o nome de Norberto Ortigara, atual secretário da Fazenda, que ocupa a função desde maio de 2024.
O recado que Curi envia ao Palácio é claro: ele não está apenas disposto a participar, mas também pretende liderar o processo.
O segundo cenário delineado é o seguinte: caso Curi seja preterido em favor de Guto e Deltan, ele pode buscar a composição com Moro, até mesmo como seu vice, criando uma aliança estratégica para ultrapassar o primeiro turno. Essa hipótese, embora não signifique que um acordo esteja garantido, deixa claro que Curi possui alternativas e sabe onde buscar apoio.
Por fim, o terceiro cenário é ainda mais preocupante para a proposta de Deltan como vice. Há uma possibilidade jurídica da oposição, e até de aliados do centro, questionarem a chapa como improvisada, dado que Dallagnol teve seu registro cassado e não conseguiu suspender os efeitos da decisão.
Implicações e Novos Desafios
Com a promulgação da Lei Complementar 219/2025, que alterou a contagem do prazo de inelegibilidade, a situação de Deltan se torna ainda mais delicada. Embora possa gerar visibilidade digital, ele se torna alvo de questionamentos judiciais, o que pode prejudicar a candidatura como um todo.
Além disso, Curi enfrenta outra complicação interna dentro do próprio PSD. Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba, foi nomeado secretário do Desenvolvimento Sustentável e também não esconde suas ambições, o que pode gerar uma competição interna desgastante para o partido.
O que se percebe, portanto, nas conversas em Caiobá, é que as questões políticas vão muito além de uma simples disputa de poder. Curi acredita que a sucessão não será decidida por pressões. Ele possui apoio na Assembleia, mantém diálogo com prefeitos e tem uma rede que pode ajudá-lo a reverter cenários desfavoráveis caso o Palácio opte por uma chapa imposta.
Se a intenção de Guto Silva de consolidar uma sucessão com um vice simbólico não desarma Curi, certamente acelera este jogo político. O governador Ratinho Júnior terá que optar pela negociação real se desejar manter a unidade do partido. Caso contrário, estará abrindo espaço para movimentos que podem escapar ao seu controle.
Por outro lado, o deputado estadual Requião Filho, do PDT, observa a situação com atenção e torce pela divisão entre os adversários. Ele conta com o suporte da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e busca alianças com mais três partidos para aumentar suas chances no Palácio Iguaçu.
Continue atento às movimentações e desdobramentos do cenário político paranaense.
