Um Marco de Devolução Histórica
A Polícia Federal (PF), em colaboração com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), promoveu a devolução de cinco valiosas peças sacras e diversos bens arqueológicos à Arquidiocese do Rio de Janeiro. As relíquias, que estavam em poder da PF desde uma operação na Feira de Antiguidades da Gávea, na zona sul carioca, foram apreendidas em dezembro de 2002, marcando o início de um longo processo de restituição.
A entrega dessas obras foi realizada em uma cerimônia no dia 7 de março, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, localizada na Rua Sete de Setembro, esquina com a Rua Primeiro de Março, no coração da cidade. Após os trâmites legais, as peças foram oficialmente restituídas à Comissão de Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese, seguindo as orientações do Iphan.
O retorno dos bens culturais aconteceu em conformidade com o princípio da “mão morta”, que assegura a manutenção de itens vinculados à Igreja sob sua guarda. Dessa forma, a Arquidiocese passa a ser a responsável pela proteção e preservação dessas relíquias.
Riqueza Cultural e Religiosa
O conjunto de obras devolvidas à Arquidiocese é composto por cinco esculturas religiosas de oratório, datadas dos séculos 18 e 19. Essas imagens incluem representações de figuras importantes da tradição cristã, como São João Batista, São José, a Virgem Maria, São Francisco de Assis e Santo Antônio. Além disso, foram restituídos fragmentos arqueológicos de cerâmica, pedra e outros materiais históricos, que enriquecem ainda mais o acervo da instituição.
Segundo a avaliação técnica do Iphan, as peças em questão apresentam um estado de conservação satisfatório, embora algumas delas apresentem pequenas fragmentações e sinais de desgaste na pintura original. Essa condição, no entanto, não diminui o valor histórico e cultural que essas obras possuem.
Expectativas para o Uso das Peças
A devolução dessas peças não é apenas uma questão de restituição, mas também de transformação cultural. A Arquidiocese do Rio espera que os bens recuperados sejam utilizados em atividades culturais e devocionais. Além disso, estão previstas ações educativas e exposições que visam ressaltar a importância histórica dessas relíquias para a comunidade local e para a história da Igreja no Brasil.
O evento de devolução simboliza não somente a reparação de um passado de perdas, mas também a oportunidade de revitalizar a relação da sociedade com seu patrimônio cultural. Com a devolução, a Arquidiocese reafirma seu compromisso com a preservação da memória histórica, enquanto a PF e o Iphan demonstram a eficácia de suas ações na proteção do patrimônio nacional.
