Crescimento Significativo nos Implantes Contraceptivos
No Paraná, o uso de implantes anticoncepcionais de etonogestrel, conhecido como Implanon NXT, disparou 118% entre 2024 e 2025. De acordo com um levantamento preliminar da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), os dados do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab) revelam que, de janeiro a novembro de 2025, foram realizadas 1.060 inserções, em contraste com as 485 do mesmo período no ano anterior.
A crescente adesão a esse método contraceptivo pode ser atribuída à determinação do estado e dos municípios em ampliar o acesso a tecnologias inovadoras para o planejamento familiar. Antes de julho de 2025, o acesso ao implante contraceptivo era restrito a municípios que conseguirem financiá-lo, seja por meio de recursos próprios ou consórcios. A situação mudou com a publicação de novas portarias pelo Ministério da Saúde, que ampliaram os critérios de utilização.
“O planejamento familiar é uma questão de opções e liberdade de escolha. A preocupação diária com a pílula e o medo de esquecê-la estão se tornando parte do passado. Agora, a rede pública de saúde no Paraná oferece o implante contraceptivo, um método mais moderno, eficaz e seguro em comparação aos anticoncepcionais orais. Investir em planejamento reprodutivo é, acima de tudo, investir em saúde, dignidade e futuro”, afirma Beto Preto, secretário de Estado da Saúde.
Resultados Positivos Após as Novas Portarias
Entre julho e novembro de 2025, período que coincide com a implementação das novas diretrizes e a disponibilização de 25 mil implantes, foram realizados 762 procedimentos de inserção. Os municípios que se destacaram na oferta do serviço incluem Curitiba, com 256 inserções, seguido por Almirante Tamandaré (219), Piraquara (94), São Mateus do Sul (91) e Pitanga (22). Vale ressaltar que esses números são preliminares e podem sofrer ajustes à medida que mais dados forem incluídos.
Em novembro de 2025, a Sesa conduziu uma oficina para capacitar gestores e profissionais de saúde dos 38 municípios com mais de 50 mil habitantes que receberam as remessas de implantes. O objetivo da iniciativa foi habilitar as equipes a repassar conhecimentos a outros médicos e enfermeiros que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) em suas localidades.
A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, destacou a importância dessa qualificação: “Organizar os serviços e formar os profissionais são etapas essenciais para que esse novo método chegue a quem realmente precisa. A inserção do implante representa uma ampliação do cuidado, diminui desigualdades e fortalece os direitos sexuais e reprodutivos de mulheres e adolescentes.”
Implante de Etonogestrel: Uma Opção Revolucionária
O implante de etonogestrel é um método contraceptivo reversível e altamente eficaz, que pode atuar por até três anos sem necessidade de intervenções. Após esse período, o implante deve ser removido, e, caso haja desejo, um novo pode ser inserido na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. A fertilidade da usuária retorna rapidamente após a remoção do dispositivo.
Dentro das opções contraceptivas disponíveis no SUS, apenas o DIU de cobre é classificado como LARC (contraceptivos reversíveis de longa duração). Esses métodos são considerados mais eficientes no planejamento reprodutivo, pois não dependem do uso contínuo ou correto por parte da usuária, ao contrário dos anticoncepcionais orais ou injetáveis. Os LARC são seguros e revertíveis.
Os 38 municípios com mais de 50 mil habitantes que fazem parte dessa fase inicial da incorporação do implante contraceptivo no SUS incluem Almirante Tamandaré, Apucarana, Arapongas, Araucária, Cambé, Campo Largo, Campo Mourão, Cascavel, Castro, Cianorte, Colombo, Curitiba, Fazenda Rio Grande, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guarapuava, Ibiporã, Irati, Londrina, Marechal Cândido Rondon, Maringá, Medianeira, Palmas, Paranaguá, Paranavaí, Pato Branco, Pinhais, Piraquara, Ponta Grossa, Prudentópolis, Rolândia, São José dos Pinhais, Sarandi, Telêmaco Borba, Toledo, Umuarama e União da Vitória. A expectativa é que, no próximo semestre, o método esteja disponível em todas as 22 Regionais de Saúde, ampliando assim o acesso ao planejamento reprodutivo em todo o estado.
