Impacto da Redução do IPVA em Emplacamentos
Nos primeiros meses de 2025, o Paraná testemunhou um aumento significativo de 42% nos emplacamentos de veículos, mesmo com a nova alíquota do IPVA em vigor por menos de quatro meses. O número de primeiros emplacamentos saltou de 286 mil para cerca de 406 mil, resultando em um acréscimo absoluto de aproximadamente 120 mil veículos. De acordo com especialistas, essa tendência pode se intensificar em 2026, quando a redução do imposto será válida durante todo o ano.
A mudança na alíquota do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) foi sancionada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior em setembro de 2025, reduzindo a taxa de 3,5% para 1,9% do valor venal de automóveis, motocicletas e caminhonetes. Essa decisão, anunciada em agosto, já começava a refletir nas decisões de compra de veículos a partir daquele mês.
“Essa foi a maior redução de IPVA do Brasil, que alivia o bolso dos paranaenses e agora começa a se traduzir em maior circulação de dinheiro na economia dos municípios. Esse aumento na arrecadação ajudará as famílias a lidarem com diversas despesas, como IPTU, material escolar e até mesmo viagens em família,” declarou Ratinho Junior.
Transferência de Veículos e Crescimento Sustentável
Além do crescimento nos primeiros emplacamentos, a redução do imposto também promoveu um aumento nas transferências de veículos de outros estados para o Paraná. De janeiro a agosto de 2025, as taxas mensais de transferência foram inferiores às do mesmo período de 2024, exceto em julho e agosto, que apresentaram números equivalentes. Após a nova lei entrar em vigor, o estado começou a registrar transferências em volumes superiores aos do ano anterior.
Esse fenômeno indica que, além de incentivar o emplacamento de carros novos, a diminuição do IPVA está atraindo proprietários que mantinham seus veículos registrados em outros estados a retornarem ao Paraná, atraídos por um ambiente fiscal mais favorável. A média mensal de emplacamentos totais, que se situava em torno de 48 mil registros entre janeiro e agosto de 2025, subiu significativamente para aproximadamente 68,7 mil emplacamentos de setembro a dezembro, indicando um novo padrão que deve se consolidar em 2026.
Reflexos na Arrecadação e na Justiça Tributária
O crescimento no número de veículos em circulação também gerou um impacto positivo na arrecadação do estado, compensando parte da redução da alíquota do IPVA, conforme previa a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa). O secretário Norberto Ortigara destacou que a ampliação da base tributária ajuda a preservar o equilíbrio fiscal e também oferece maior acesso à população para a aquisição e regularização de veículos. “Essa política de justiça tributária mostra que é possível ter responsabilidade fiscal enquanto se reduz tributos,” afirmou Ortigara.
Uma Redução Histórica com Benefícios para os Paranaenses
A alíquota reduzida do IPVA, sancionada em 23 de setembro, representa uma mudança significativa para 3,4 milhões de proprietários de veículos no estado, que devem pagar em média 45% menos imposto anualmente. Por exemplo, um dono de carro avaliado em R$ 50 mil, que antes pagava R$ 1.750 de IPVA, agora pagará R$ 950 em 2026. De acordo com a Receita Estadual, cerca de 68% da frota tributada do Paraná se enquadra nessa categoria de valor.
Em comparação, em Santa Catarina, a alíquota é de 2%, resultando em um imposto de R$ 1.000 para o mesmo veículo, enquanto em São Paulo, a taxa de 4% levaria a um imposto de R$ 2.000. “Essa conquista para o Paraná demonstra que é viável cortar despesas para diminuir a carga tributária, mantendo um nível elevado de arrecadação que beneficia tanto os serviços públicos estaduais quanto as administrações municipais,” comentou Santin Roveda, presidente do Detran-PR.
Atualmente, a frota tributada do Paraná é composta por cerca de 4,1 milhões de veículos, dos quais 3,4 milhões – quase 83% – se beneficiam da redução do IPVA. Esse grupo abrange automóveis, motocicletas acima de 170 cilindradas, caminhonetes, camionetas, ciclomotores, motonetas, utilitários, motorhomes, triciclos, quadriciclos e caminhões-tratores. Os automóveis representam a maior parte, com mais de 2,5 milhões de unidades, seguidos por motocicletas (268,7 mil) e caminhonetes (244,7 mil).
A alíquota diferenciada não se aplica a veículos especiais, como ônibus, caminhões, utilitários de carga, veículos de aluguel ou movidos a gás natural veicular (GNV), que continuam tributados em 1%. A isenção do IPVA para motocicletas de até 170 cilindradas, sancionada em dezembro de 2024, permanece em vigor.
