Cúpula do Congresso em Ação
Aliados dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), estão otimistas em relação à capacidade de derrubar o possível veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto da dosimetria. Este projeto, que foi aprovado pelo Congresso no final de 2025, favorece os condenados pelos ataques golpistas. De acordo com fontes ligadas aos parlamentares, a articulação já está em andamento para reverter essa medida, caso seja confirmada.
A expectativa é que Lula utilize o ato que celebra os três anos dos ataques antidemocráticos, programado para esta quinta-feira, para formalizar seu veto. Essa possibilidade reacendeu as tensões entre o Executivo e o Legislativo, especialmente na Câmara, onde a proposta da dosimetria recebeu um apoio expressivo. O clima no Congresso, portanto, está tenso e a discussão sobre a dosimetria elevou as temperaturas políticas, transformando o evento em um novo teste para a relação entre o governo e o Congresso neste início de 2026.
Movimento Estratégico
A ausência simultânea de Motta e Alcolumbre no ato do governo pode ser interpretada como uma jogada estratégica de cautela institucional. Embora não se tratem de um sinal de apoio ao gesto simbólico do governo, também não se posicionam de maneira confrontativa. Para Ciro Nogueira, presidente do PP e um dos aliados mais próximos de Motta, há convicção de que o número de votos será suficiente para derrubar o veto, que ele considera um “desrespeito ao Legislativo”.
“A dosimetria foi aprovada no Congresso com mais de 300 votos. O veto será facilmente derrubado. Lula está usando isso como uma bandeira política e simbólica, muito mais do que algo pragmático, pensando que vai se manter em pé. Não faria sentido Hugo e Alcolumbre comparecerem a um evento que pode sacramentar este veto, que é um desrespeito ao Parlamento. Isso já diz muito sobre o que o Congresso pretende fazer com o veto, caso se confirme”, argumentou Nogueira.
Aprovação do Projeto
Na Câmara, a proposta da dosimetria obteve 291 votos a favor e 148 contra. No Senado, o resultado foi de 48 a 25. Para que um veto presidencial seja derrubado, é crucial conseguir no mínimo 257 votos de deputados e 41 de senadores, uma meta que, segundo as avaliações atuais, pode ser alcançada. Nos últimos anos, tanto Motta quanto Alcolumbre já demonstraram resistência em comparecer a eventos de memória e repúdio à invasão dos Três Poderes, evidenciando uma ruptura entre o Legislativo e a postura do governo federal.
