Investimento Estratégico no Brasil
A LG, gigante sul-coreana da tecnologia, fez um anúncio significativo durante a feira CES em Las Vegas, onde apresentou inovações como TVs ultrafinas e robôs. A grande aposta da empresa para o Brasil em 2024 não está apenas no lançamento de produtos, mas sim no fortalecimento da sua presença industrial no país.
Em um evento realizado nesta terça-feira (6), a LG revelou detalhes sobre a nova unidade de produção de eletrodomésticos que será inaugurada em julho em Fazenda Rio Grande, no Paraná. O investimento totaliza R$ 1,5 bilhão e terá como foco inicial a fabricação de geladeiras.
Capacidade de Produção e Geração de Empregos
A nova planta ocupará uma área de 770 mil metros quadrados e terá a capacidade de produzir até 500 mil refrigeradores anualmente, além de criar aproximadamente 500 postos de trabalho diretos. A partir de 2027, a LG planeja diversificar sua produção, iniciando a fabricação de máquinas lava e seca, consolidando sua competitividade em um mercado dominado por marcas como Brastemp e Electrolux.
De acordo com a GfK, o setor de eletrodomésticos no Brasil movimenta R$ 28,5 bilhões por ano, com cerca de 4,8 milhões de geladeiras e 7,2 milhões de máquinas de lavar vendidas anualmente. A meta da LG é conquistar 20% de participação no mercado de refrigeradores nos próximos anos.
Produção Local para Competitividade
“Atualmente, toda geladeira que vendemos é importada. A produção local nos torna mais competitivos e permite que personalizemos os produtos para o consumidor brasileiro”, explica Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG Brasil.
A escolha do Paraná para a instalação da nova fábrica levou em consideração fatores logísticos e a cadeia de suprimentos, já que as principais concorrentes da LG possuem fábricas na região Sul. A proximidade com fornecedores e os incentivos oferecidos pelo governo estadual também foram determinantes na escolha do local.
Adaptação às Preferências dos Consumidores
Mais do que apenas reduzir custos, a LG pretende usar a produção local para ajustar os produtos às preferências dos consumidores brasileiros. Fiani destaca que a empresa está atenta às especificidades do mercado local, como a necessidade de oferecer produtos bivolt e em diferentes cores e capacidades. “Fizemos pesquisas durante quase um ano para entender as preferências do consumidor antes de lançar nossos produtos”, afirma.
Ele complementa: “Não basta produzir em massa e colocar no mercado. É essencial entender o que o consumidor busca e quais suas necessidades.”
Reposicionamento da Marca e Desafios Econômicos
Embora a LG seja reconhecida globalmente por sua força no setor de eletrodomésticos, no Brasil, a marca é frequentemente associada a TVs e ar-condicionados. A nova fábrica em Fazenda Rio Grande representa uma mudança estratégica que visa reposicionar a empresa no mercado nacional. Além da nova unidade, a LG já possui uma fábrica em Manaus voltada para a produção de televisores e climatização, mas interrompeu a fabricação de celulares em Taubaté (SP) no ano passado.
A escolha do Brasil para esta nova planta veio em um contexto econômico desafiador, com a taxa básica de juros em 15% e um crescimento do PIB projetado em cerca de 2%. Apesar disso, a LG acredita no potencial do mercado brasileiro e estima um crescimento de 12% em 2026 e 15% em 2027.
Expectativas para o Futuro
Para 2024, a LG espera um aumento sazonal nas vendas de televisores, impulsionado pela Copa do Mundo, prevendo uma alta de 30% neste segmento. Com o início das operações da nova fábrica, a empresa também projeta crescimento nas vendas de seus produtos.
A estratégia da LG inclui não apenas a produção em larga escala, mas também um foco em serviços de instalação e pós-venda, buscando democratizar a tecnologia e evitar que seus produtos sejam vistos apenas como opções de alto custo. Além do mercado doméstico, a empresa planeja aumentar sua participação no setor corporativo, onde a divisão B2B representa entre 15% e 20% de seu faturamento no Brasil, com a meta de atingir 50% no médio prazo.
“Se não estivéssemos confiantes no potencial do Brasil, não estaríamos investindo R$ 1,5 bilhão para construir esta fábrica”, conclui Fiani.
