O que é uma Superlua?
A Lua Cheia representa um fenômeno em que nosso satélite natural exibe sua face completamente iluminada, um espetáculo que atrai a atenção de muitos amantes da astronomia. No dia 3 de janeiro de 2026, ocorreu uma Lua Cheia, levando à pergunta: essa Lua é uma superlua? Para esclarecer essa dúvida, a astrônoma Dra. Josina Nascimento, do Observatório Nacional (ON/MCTI), elaborou um guia completo sobre o assunto. Após uma série de cálculos e análises, a resposta é clara: a Lua Cheia de 3 de janeiro não se classifica como uma superlua. Mas o que exatamente define uma superlua?
Os termos “superlua” e “microlua” podem se referir tanto a luas novas quanto a luas cheias. A superlua ocorre quando a Lua está próxima do perigeu, que é o ponto mais próximo da Terra em sua órbita. Isso significa que podemos ter superluas tanto em sua fase cheia quanto em sua fase nova. Em contrapartida, a microlua acontece quando a Lua se encontra próxima do apogeu, ou seja, o ponto mais distante da Terra. Assim como as superluas, as microluas também podem ser novas ou cheias.
Origem do Termo e Critérios de Definição
É importante destacar que esses termos não são oficialmente reconhecidos e nem têm definições claras pela IAU (União Astronômica Internacional). A expressão “superlua” foi criada pelo astrólogo Richard Nolle em 1979, em um artigo publicado na revista Dell Horoscope, que já não circula mais. Nolle definiu que uma lua cheia se tornaria uma superlua quando estivesse no perigeu ou até 90% próximo dele. Contudo, essa definição de 90% é considerada arbitrária e carece de fundamentação científica.
A ausência de um critério unificado para classificar o que constitui uma superlua gera confusão, pois diferentes fontes adotam critérios variados. Atualmente, existem três principais critérios utilizados para classificar uma superlua cheia:
- Distância da Lua em relação à Terra igual ou inferior a 360 mil km no momento da Lua Cheia (critério utilizado pelo Observatório Nacional);
- Diferença de até 12 horas entre o momento da Lua Cheia e o instante do perigeu;
- A Lua deve estar no perigeu durante a Lua Cheia ou, pelo menos, a 90% de distância do perigeu. Este último critério tende a ampliar o número de superluas registradas anualmente.
Análise da Lua Cheia de 3 de Janeiro de 2026
Com base no primeiro critério, a Lua Cheia de 3 de janeiro, que ocorreu às 7h02 (Hora Legal de Brasília) e estava a uma distância de 362.312 km da Terra, não se qualifica como superlua. O perigeu ocorreu no dia 1º de janeiro às 18h43, a uma distância de 360.349 km da Terra. Portanto, também não se enquadra no segundo critério.
De fato, no momento da Lua Cheia, a Lua estava a 362.312 km da Terra, portanto, não atingiu o critério 1. No apogeu anterior, a Lua estava a 406.322 km. Diante disso, a Lua de 3 de janeiro não pode ser considerada uma superlua cheia.
Próxima Superlua em 2026
Os apaixonados por fenômenos astronômicos não precisam desanimar, pois a próxima superlua de 2026 está prevista para 24 de novembro. Nesse dia, a Lua Cheia será observada às 11h53 e estará a uma distância de 360.768 km da Terra. O perigeu, por sua vez, ocorrerá no dia 25 às 18h02. Assim como com a Lua de janeiro, essa superlua também não se classificará como tal pelos critérios 1 e 2, embora esteja próxima ao limite do primeiro critério.
Para os entusiastas da astronomia, cada evento lunar oferece uma oportunidade única para observar e aprender mais sobre o nosso satélite natural. A expectativa para as próximas superluas é grande, e é fundamental estarmos informados sobre o que realmente caracteriza esses fenômenos.
