Análise da Atuação de Jair Renan
CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – Jair Renan, filho mais novo do ex-presidente Jair Bolsonaro, completou um ano de mandato como vereador em Balneário Camboriú (SC) com um desempenho considerado discreto no plenário. Apesar de estar presente em 90% das 93 sessões realizadas, sua interação com outros parlamentares durante os debates foi escassa. A maior parte de suas ausências ocorreu em novembro, período em que seu pai foi preso em Brasília.
Nos poucos momentos em que usou o microfone, Jair Renan frequentemente recorreu a chavões que remetem à figura paterna, abordando pautas alinhadas ao bolsonarismo. Um dos projetos de lei que apresentou visa penalizar atos de vandalismo contra as bandeiras nacional, estadual e municipal em Balneário. Outro tema que gerou debate foi a proposta de que o hino nacional fosse cantado semanalmente nas escolas municipais, em contraposição ao plano da prefeitura de incluí-lo apenas uma vez por mês no programa ‘Pátria na Escola’.
O vereador também apresentou uma emenda a um projeto do Executivo, defendendo que a vacinação de crianças nas escolas fosse realizada somente com a autorização expressa de pais ou responsáveis. Em sua justificativa, Jair Renan destacou a importância de respeitar os direitos dos pais na decisão sobre a saúde de seus filhos menores, citando: ‘É imprescindível que o Estado atue com respeito aos direitos dos pais’.
Vale lembrar que, durante sua gestão, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve uma postura crítica em relação à vacinação durante a pandemia de Covid-19, promovendo o uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina.
O sobrenome Bolsonaro sem dúvida ajudou Jair Renan a conquistar a maior votação entre os vereadores de Balneário nas últimas eleições. Em seus discursos, ele se comportou de maneira semelhante à de seu pai. Em um momento na tribuna, ele afirmou: ‘Se acham que vão me calar, estão muito enganados. Eu vou continuar incomodando o sistema de Balneário Camboriú, tá ok? E a cobra vai fumar agora’. A declaração ocorreu em defesa do deputado federal Eduardo Bolsonaro, que havia anunciado sua permanência nos EUA e a licença de seu mandato em Brasília. No entanto, seus discursos não se estenderam por mais de três minutos.
A influência da família Bolsonaro na cidade é notável. Em 2022, quase 75% dos eleitores de Balneário votaram em Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais. Contudo, o PL não conseguiu eleger seu candidato à prefeitura em 2024, que ficou sob a gestão de Juliana Pavan (PSD). Curiosamente, uma parte do PL apoiou Pavan, que também está ligada à direita.
No início deste ano, Jair Renan votou contra o aumento do IPTU sugerido pela prefeita, mas também apoiou outras propostas do Executivo, como a regulamentação da internação involuntária de moradores de rua dependentes de substâncias psicoativas, da qual foi relator e defensor na Câmara.
Entre suas sugestões à prefeitura, destacam-se pedidos para o reforço das rondas da Guarda Municipal em áreas específicas. Em uma de suas solicitações, ele mencionou que a presença constante de pessoas em situação de rua, muitas vezes com carroças e entulhos, compromete a segurança na ciclofaixa e prejudica a circulação de ciclistas. Entretanto, a maioria de suas indicações se concentrou em temas de zeladoria, como limpeza de bueiros, reparos em asfaltos e remoção de pichações.
Conflitos com Colegas de Câmara
A relação de Jair Renan com seus colegas de Legislativo não foi isenta de tensões, especialmente com o vereador do PT, Eduardo Zanatta. Em junho, ele foi o único a votar contra um projeto de lei que institui o Dia Municipal da Democracia em 3 de março, data que homenageia Higino João Pio, o primeiro prefeito democraticamente eleito em Balneário, assassinado durante a ditadura militar.
Durante a votação, Jair Renan afirmou que apoia a democracia, mas declarou que ‘a verdade está do nosso lado’. Ele criticou a Comissão da Verdade, instituída por Dilma Rousseff, e protestou contra cartazes em memória ao ex-prefeito que se manifestavam contra a anistia a condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. ‘Como vimos aqui na sessão solene em março, a extrema esquerda raptou a pauta’, afirmou Jair Renan, cujo pai foi condenado pelo STF por tentativa de golpe em 2022.
Antes desse episódio, o filho do ex-presidente já havia se posicionado contra um requerimento da vereadora Jade Martins (MDB), que propunha retificar o registro sobre a morte de Higino Pio nas atas do Legislativo de 1969, esclarecendo que ele foi assassinado pelo regime militar. A morte ocorreu em 3 de março de 1969, após Higino ser preso e permanecer sob custódia das autoridades.
Embora a versão oficial tenha alegado suicídio, investigações posteriores da Comissão Nacional da Verdade desmentiram essa narrativa. Recentemente, em 2024, uma determinação do CNJ resultou na retificação da certidão de óbito de Higino João Pio, colocando em evidência a necessidade de um olhar mais atento sobre a história política da região.
