Como Ansiedade e Depressão Afetam o Peso Corporal
Transtornos emocionais como ansiedade e depressão podem modificar o funcionamento do organismo e, em muitos casos, resultar no aumento de peso. Pesquisas indicam que essas condições alteram os níveis hormonais, afetam o sono e influenciam a compulsão alimentar, mas os efeitos não são uniformes para todos os indivíduos.
Uma das explicações para essa relação está no aumento do cortisol, o hormônio do estresse, que eleva o metabolismo de forma negativa. A médica Márcia Simões, da Eden Clinic, destaca que a ansiedade eleva o cortisol, tornando o metabolismo mais lento e dificultando a queima de gordura.
O Papel do Cortisol e o Comportamento Alimentar
O Jornal da USP ressalta que o estresse crônico mantém o cortisol elevado, interferindo no metabolismo e na forma como o corpo armazena energia. Isso pode estimular o desejo por alimentos ricos em calorias, como doces e gorduras. Essa relação hormonal também está ligada à compulsão alimentar, observada em 60% dos adultos com sobrepeso ou obesidade avaliados em estudo da Escola de Enfermagem da USP.
O mesmo estudo aponta que ansiedade e sintomas depressivos influenciam diretamente a insônia e a compulsão alimentar periódica, indicando um desequilíbrio no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela regulação do apetite em pessoas estressadas.
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Impactos Psicológicos e Ganho de Peso
Segundo o Hospital São Francisco Xavier (FSFX), a relação entre obesidade e transtornos psicológicos é complexa e bidirecional. Sintomas como desânimo, perda de interesse e alterações no apetite comprometem o autocuidado, facilitando o ganho de peso. Entretanto, o efeito não é o mesmo para todos.
Fontes como o site Trofa Saúde indicam que episódios depressivos podem causar tanto aumento quanto diminuição do apetite, e a razão para essa variação ainda não está totalmente esclarecida. A ansiedade, por sua vez, em casos de curta duração, pode provocar redução aguda do apetite, enquanto em outros momentos favorece o consumo excessivo de alimentos ou a perda de peso involuntária.
Medicamentos e Outras Condições Associadas
O endocrinologista Alexandre Acuña alerta que alguns antidepressivos têm como efeito colateral o aumento de peso. A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa-PR), por sua vez, destaca que transtornos de ansiedade e transtorno bipolar estão entre as condições relacionadas ao ganho de peso, conforme a Linha de Cuidado às Pessoas com Sobrepeso e Obesidade, lançada em 2022.
Ampliação dos Serviços de Saúde Mental no Paraná
O Paraná registrou 2.551.463 atendimentos na rede de saúde mental em 2025, um crescimento de 19% em relação aos 2.144.086 atendimentos de 2024, segundo a Agência Estadual de Notícias, em publicação de 21 de abril de 2026. A estrutura conta com 1.651 leitos em hospitais psiquiátricos especializados e 73 leitos em hospitais gerais.
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A Sesa informou que o Estado possui 160 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), 45 ambulatórios, 14 serviços residenciais terapêuticos, 6 Unidades de Acolhimento e 7 Serviços Integrados de Saúde Mental (SIMPR). Essas unidades atendem pacientes com depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e problemas relacionados ao uso de crack, álcool e outras drogas.
Perfil dos Pacientes e Dados Epidemiológicos
De acordo com a Sesa, as mulheres são mais afetadas por depressão e ansiedade, enquanto os homens apresentam maior prevalência de transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e uso de substâncias. Um estudo publicado na Revista Cereus, em 2026, com dados do Observatório de Saúde do UMANE, registrou taxas de 17,4 a 23 internações por depressão por 100 mil habitantes entre 2020 e 2024, com pico em 2023. Os autores associam esse aumento aos impactos diretos e indiretos da pandemia de Covid-19.
Iniciativas para Fortalecer a Atenção Primária
A Sesa projeta que, até 2026, as 22 Regionais de Saúde do Paraná receberão treinamento para aplicar o manual mhGAP, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Este material orienta profissionais da Atenção Primária a identificar e cuidar de pessoas com depressão, ansiedade e outras condições de saúde mental, ampliando a capacidade de atendimento e prevenção no sistema público.
