Marrom, o Musical estreia em Curitiba
Nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, a Ópera de Arame abre suas portas para receber “Marrom, o Musical”, uma produção que celebra os 50 anos de carreira de Alcione, uma das vozes mais emblemáticas da música brasileira. A montagem, que chega pela primeira vez à capital paranaense, reúne música, memória e expressões da cultura popular do país, conduzida por uma superprodução com 24 atores e mais de 300 figurinos.
Idealizado por Jô Santana e assinado na direção e texto por Miguel Falabella, o espetáculo traz uma abordagem que vai além da simples imitação da cantora. Letícia Soares, atriz que interpreta Alcione no palco, destaca que o objetivo é construir uma homenagem que respeita a trajetória da artista, sem tentar reproduzir cada detalhe de sua personalidade ou estilo vocal.
Desafios de interpretar Alcione
Interpretar uma artista viva, com uma carreira vasta e bem documentada, exige um equilíbrio delicado. Letícia recorreu a vídeos, fotos, gravações e relatos de pessoas próximas para entender tanto o que Alcione é fora dos palcos quanto sua presença que conquistou plateias por décadas. A atriz reconhece que Alcione possui um timbre e estilo únicos, inimitáveis, o que torna impossível uma reprodução completa.
Por isso, a atriz optou por incorporar gestos e expressões que remetem à “Marrom”, preservando sua própria identidade artística. “No teatro, temos a liberdade de homenagear mais do que imitar”, explica Letícia, que saiu do processo encantada com a artista e sua obra.
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Raízes culturais e diversidade brasileira
O musical mergulha nas referências culturais que formam a identidade de Alcione, com destaque para manifestações maranhenses como o “Bumba Meu Boi”. Letícia, carioca de origem, conta que esse contato aprofundou seu olhar sobre a diversidade cultural do Brasil, evidenciando como as tradições populares combinam música, dança, teatralidade e histórias passadas de geração em geração.
Ela ressalta que o Brasil é feito de diversidade, diáspora, dor e festa — esta última ressignificando a dor. Essa conexão cultural se reflete na narrativa do espetáculo, que apresenta ao público não só os sucessos musicais, mas o contexto e as raízes da artista.
Reconhecimento e permanência no cenário musical
Ao revisitar a carreira de Alcione, Letícia ampliou sua admiração pela cantora, que mantém relevância há mais de cinco décadas no cenário musical brasileiro. Destaca a importância de ser uma artista nordestina e negra que permanece em evidência com canções que falam de alegrias, separações e encontros, conectando gerações.
“Ela não apenas tem uma carreira de 50 anos; ela faz sucesso há 50 anos”, enfatiza a atriz, que vê na continuidade e na influência cultural de Alcione um legado que transcende o tempo.
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Produção valoriza cultura maranhense e o teatro musical nacional
“Marrom, o Musical” também destaca o protagonismo de artistas brasileiros, especialmente do Maranhão. Quatro artistas maranhenses compõem o elenco, e os figurinos trazem bordados feitos em São Luís pela Cooperativa Cuxá, fruto de parceria sociocultural promovida pelo Instituto Humanitas360.
Letícia enaltece o cuidado de Miguel Falabella na escrita e a experiência de Jô Santana na produção de espetáculos dedicados a personalidades nacionais. Para ela, a montagem demonstra a qualidade técnica e artística do teatro musical brasileiro, que alcança padrão internacional e abre espaço para novos talentos em grandes produções.
Encerramento da Trilogia do Samba
O espetáculo encerra a “Trilogia do Samba”, projeto que começou com “Cartola – O Mundo é um Moinho” e seguiu com “Dona Ivone Lara – Um Sorriso Negro”, ambos idealizados por Jô Santana. Essa série reforça a valorização do samba e das personalidades que o construíram.
Serviço: “Marrom, o Musical” em Curitiba
Quando: 31 de outubro e 1º de novembro de 2026 (sábado e domingo)
Onde: Ópera de Arame (R. João Gava, 970 – Abranches)
Horários: sábado às 20h | domingo às 19h
Ingressos: a partir de R$ 25, no Disk-Ingressos
