Influência da Idade e Condições Sociais na Alimentação de Gestantes
Um estudo conduzido por pesquisadoras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) revelou que a idade, renda e escolaridade interferem diretamente nos hábitos alimentares de gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. Com base em dados de 604 mulheres, a pesquisa identificou diferenças significativas no consumo de alimentos conforme o perfil sociodemográfico das participantes.
Gestantes mais jovens, especialmente adolescentes entre 14 e 19 anos, tendem a consumir mais bebidas adoçadas e alimentos ultraprocessados. Além disso, quase oito em cada dez dessas adolescentes realizam suas refeições assistindo à televisão, hábito que também é comum entre mulheres na primeira gestação. Nutricionistas alertam que comer diante de telas pode atrasar a percepção de saciedade, elevando o risco de consumo excessivo.
Renda e Escolaridade Modelam Escolhas Alimentares
A análise também revelou que a renda familiar e o nível de escolaridade influenciam o acesso a alimentos mais saudáveis. Mulheres com menor renda apresentaram maior consumo de hambúrgueres e embutidos, enquanto aquelas com renda e escolaridade mais altas consomem mais frutas. A disponibilidade de estabelecimentos que oferecem alimentos frescos no entorno da residência impacta diretamente essas escolhas, conforme destaca a professora Doroteia Höfelmann: “As questões de renda vão afetar questões de acessibilidade. O local onde você mora determina quais estabelecimentos alimentares estão ao seu alcance e, consequentemente, o acesso a comida de qualidade”.
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Entre as gestantes analisadas, 62% tinham entre 20 e 29 anos, 66% possuíam renda familiar per capita de até R$ 750 e 56% tinham menos de 11 anos de escolaridade. A maioria, 72,6%, já havia dado à luz mais de um filho. A escolha do município considerou a abrangência do atendimento público, visto que cerca de 194 mil dos 232 mil habitantes dependem exclusivamente do SUS.
Impactos na Saúde Materna e Infantil
O projeto, que integra uma iniciação científica do Departamento de Nutrição da UFPR, busca entender as condições de vida e saúde durante a gravidez e o puerpério. A estudante Natália Albano Laureano apresentará os resultados durante a 17ª Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão da universidade (Siepe).
Os dados ressaltam a necessidade de considerar fatores sociais no acompanhamento nutricional das gestantes. Uma alimentação inadequada pode comprometer o desenvolvimento fetal e aumentar riscos como parto prematuro. Por outro lado, o consumo excessivo de calorias está associado a complicações como ganho de peso elevado, diabetes gestacional e hipertensão arterial.
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Próximos Passos da Pesquisa
As pesquisadoras planejam ampliar o estudo para incluir variáveis como consumo de álcool, tabagismo, condições de moradia, composição familiar e estado civil. Também pretendem investigar a insegurança alimentar, acompanhando as mulheres e seus filhos ao longo do tempo. O objetivo é fornecer dados que contribuam para políticas públicas mais eficazes e orientações nutricionais que considerem as realidades sociais das gestantes.
