Arte indígena ganha espaço na paisagem urbana de Curitiba
Curitiba recebe, neste mês de outubro, sua primeira empena dedicada à arte indígena, instalada na lateral do edifício Portal do Passeio, no coração da cidade. A obra, assinada pela artista Daiara Tukano, leva o título “Kamé e Kairu – O Sol e a Lua na Terra das Araucárias” e presta homenagem ao povo Kaingang, uma das etnias originárias do Paraná.
Com traços marcados por cores vibrantes e grafismos simbólicos, a pintura retrata as figuras do sol e da lua, conhecidas pela tradição Kaingang como Kamé e Kairu. “O sol representa o lado guerreiro, com pinturas abertas e linhas retas; já a lua simboliza o rezador, calma, com grafismos arredondados”, explica Daiara. Para a artista, esses dois irmãos se complementam, formando a sabedoria e a resistência do povo Kaingang.
Quatro anos de trabalho e dedicação técnica
Idealizado pelos produtores Giusy de Luca e Bernardo Bravo, o projeto envolveu um processo complexo que levou quatro anos desde sua concepção até a execução. As equipes responsáveis pela pintura enfrentaram desafios técnicos, trabalhando a 66 metros de altura para cobrir aproximadamente 700 metros quadrados da empena.
As artistas paulistana Didi Sapiência e a chilena Laura Palta foram escolhidas para essa missão. Giusy destaca a importância de ter mulheres à frente do projeto: “Como a obra é de uma artista mulher, buscamos uma equipe qualificada majoritariamente feminina, especialistas em diversas áreas. É simbólico ver essas mulheres corajosas ocupando o espaço da arte urbana“.
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
Respeito e pesquisa para homenagear os Kaingang
Daiara Tukano, pertencente à etnia Tukano, no Amazonas, dedicou-se a ouvir e pesquisar para criar a obra que homenageia os Kaingang. “Conversei com membros da comunidade para acertar os grafismos, pois, embora eu não seja Kaingang, quis demonstrar carinho e respeito”, conta.
A escolha da araucária na pintura não é casual: para os Kaingang, essa árvore marca o território sagrado. Ao colocar essa imagem em um prédio, a obra fala da força e verticalidade desse território, reforçando a conexão entre a memória indígena e a cidade.
Arte urbana como espaço de inclusão e pertencimento
A intervenção artística no espaço público ressalta o papel da arte urbana como ferramenta democrática e de pertencimento. “A arte de rua é a mais democrática que existe, pois todos têm direito à rua”, afirma Daiara. A obra se torna parte do cotidiano, alcançando quem passa a caminho do trabalho, da escola ou de casa.
A entrega oficial da empena está marcada para o dia 29 de outubro, com um evento no terraço do Cine Passeio, celebrando a memória e a presença indígena no Sul do país.
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Fonte: belembelem.com.br
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Fonte: decaruaru.com.br
O projeto é uma realização da Mucha Tinta e Bernardo Bravo Idealização, com apoio da Tintas Vergínia, OW Mate, Fundação Cultural de Curitiba, Prefeitura e Câmara Municipal de Curitiba.
Serviço
Pintura: Kamé e Kairu – O Sol e a Lua na Terra das Araucárias
Quando: até 28 de outubro
Local: Condomínio Portal do Passeio, Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 327
Redes Sociais
Instagram Mucha Tinta
Instagram Bernardo Bravo
