Arte & Cultura destaca a dança sarro como fenômeno cultural em Curitiba
A dança sarro ganhou espaço e visibilidade na cena cultural de Curitiba, tema central da edição desta sexta-feira (28) do programa Arte & Cultura, exibido pela TV Assembleia. A atração convida as dançarinas Rafaela Borges e Nicole Molinari, integrantes do coletivo “Sarro Delas”, para conversar sobre a gênese e o crescimento dessa expressão artística. Com base na improvisação e no fluxo, o sarro surge da fusão de diferentes estilos de dança, revelando uma identidade própria que vem conquistando cada vez mais adeptos.
Nicole destaca que o sarro vai além da técnica, configurando-se como um movimento cultural e uma forma legítima de lazer e expressão. “É uma mistura de várias danças já existentes, com um pouco de shuffle, rebolation e outros ritmos que criam um estilo singular”, explica. Rafaela acrescenta que a dança se manifesta em múltiplas vertentes, com modos variados de execução, que vão do mais travado ao mais solto e relaxado.
Origem paulistana e consolidação curitibana da dança
Embora tenha se popularizado em Curitiba, o sarro tem sua origem nas raves de São Paulo, com registros que remontam ao início dos anos 2000. Nicole, que também atua como professora e pesquisadora da dança, observa que a versão atual do sarro, amplamente difundida em festas e redes sociais, é resultado da interação com as influências locais da capital paranaense. “Aqui, o sarro se enraizou e se misturou com o que já existia, criando um estilo próprio e reconhecido”, afirma.
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Desafios e preconceitos enfrentados pelos praticantes
Durante o bate-papo com a jornalista Gisele Camargo, as dançarinas abordam a marginalização que o sarro ainda sofre, revelada em comentários depreciativos nas redes sociais e em abordagens policiais que muitas vezes criminalizam os praticantes. Nicole reflete sobre a associação equivocada da dança com estereótipos negativos, destacando a desigualdade de reconhecimento cultural: “Se um vídeo mostra uma bailarina do Teatro Guaíra, recebe elogios; mas o sarro é visto como algo de ‘noia’ ou sem futuro”.
Rafaela observa que as culturas periféricas enfrentam resistência para serem reconhecidas como legítimas expressões culturais. Ela destaca que o lazer, independentemente de sua origem social, deveria ser um direito universal, mas que o sarro acaba excluído desse entendimento por sua relação com a periferia e seus praticantes.
Política cultural e o futuro do sarro em pauta
A conversa também discute a organização do movimento sarro e as perspectivas para sua valorização institucional. Entre os temas, está o Projeto de Lei 727/2026, protocolado na Assembleia Legislativa do Paraná, que propõe o reconhecimento do sarro como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. As dançarinas compartilham ainda relatos pessoais que ilustram a importância da dança para suas trajetórias e para a comunidade.
O programa Arte & Cultura vai ao ar às sextas-feiras, às 13h, no Canal 10.2 da TV Assembleia, com reprise às 18h. Também está disponível no canal da emissora no YouTube. A série semanal traz convidados diversos, como grupos folclóricos, coreógrafos, maestros e artistas, para debater o panorama das artes e da cultura local.
