Paraná lidera entre os estados com notificações da DCJ
O Paraná ocupa o segundo lugar no ranking brasileiro de notificações da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), conforme dados oficiais do Ministério da Saúde. Entre 2005 e 2021, o estado registrou 189 casos suspeitos, representando 12% do total nacional. São Paulo lidera com 512 notificações, enquanto 44 casos no Paraná foram confirmados. A DCJ é uma enfermidade rara, que não configura epidemia, e se manifesta principalmente na forma esporádica, responsável por cerca de 85% dos casos no país. Essa forma surge de maneira isolada, sem causa ou fonte infecciosa conhecida. A forma hereditária, por sua vez, responde por 5% a 15% dos registros nacionais.
Perfil dos pacientes e evolução rápida dos sintomas
Os dados indicam que a maior parte das notificações concentra-se em pessoas entre 55 e 74 anos, faixa que reúne 60,2% dos casos. No entanto, a DCJ pode afetar pessoas de diferentes idades, com registros que vão dos 14 aos 92 anos. A distribuição por sexo é quase equilibrada, com leve predominância feminina: 53,6% dos casos suspeitos são mulheres, contra 46,3% de homens. A doença é neurodegenerativa, progressiva e fatal, causando alterações neurológicas severas, geralmente acompanhadas por demência e comprometimento de funções cerebrais. Essa condição está ligada a uma modificação estrutural das proteínas presentes no sistema nervoso.
Recentemente, a doença ganhou visibilidade nas redes sociais após a divulgação do diagnóstico do influenciador Lito Sousa, internado em São Paulo. Os primeiros sintomas relatados foram a perda de movimentos, embora esse quadro seja atípico, já que normalmente os sinais neurológicos antecedem a perda motora. Após o surgimento dos sintomas, a evolução da doença é rápida, com cerca de 90% dos pacientes falecendo em até um ano.
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Fonte: olhardanoticia.com.br
Desafios no diagnóstico e tratamento da DCJ
O diagnóstico da DCJ envolve exames complexos, como ressonância magnética, análise do líquido cefalorraquidiano e eletroencefalograma. A confirmação definitiva exige a análise do tecido cerebral. Apesar dos avanços na pesquisa, não há tratamento capaz de interromper ou modificar significativamente a progressão da doença. Assim, o foco do cuidado está no controle dos sintomas e na assistência paliativa.
O que é a Doença de Creutzfeldt-Jakob?
A DCJ integra um grupo de enfermidades causadas por príons, proteínas que, ao sofrerem alterações estruturais, induzem outras proteínas a se tornarem anormais, acumulando-se e provocando danos progressivos às células nervosas. Classificada como uma Encefalopatia Espongiforme Transmissível (EET), a doença recebe esse nome pelo aspecto esponjoso que o tecido cerebral assume após a destruição dos neurônios, com pequenas cavidades que lembram poros. Essa característica ajuda a explicar a gravidade e a complexidade da doença, que desafia a medicina em seu diagnóstico e manejo clínico.
