Um painel que reúne arte e homenagem
Gardpam concluiu no fim de julho um painel de cerca de 54 metros no centro de Curitiba, que chama atenção pela sua dimensão e pelo conceito por trás da obra. Localizado na esquina da Rua Presidente Faria com a Alfredo Bufren, o painel ocupa a face oeste de um prédio que já abriga outra arte recente, uma homenagem ao artista Pla. A nova obra é uma grande assinatura estilizada do próprio Gardpam, que incorpora em seu interior diversas tags – assinaturas rápidas ou estilizadas de grafiteiros – de artistas brasileiros e internacionais. Assim, o painel funciona como uma espécie de tributo à cultura do grafite e do Hip Hop, celebrando a diversidade da arte urbana.
O gesto de reunir artistas no mesmo espaço
Em entrevista ao Plural, Gardpam explicou que tentou incorporar diversos elementos artísticos, como rostos, figuras e cenários, mas as intervenções visuais acabavam prejudicando a composição. Por isso, optou por usar sua assinatura gigante como base, preenchida com as assinaturas e tags de outros artistas. Entre eles, estão nomes como @VEJAM, de Florianópolis, @Guime, baseado na Inglaterra, e @Antony Capuzo, muralista com quem Gardpam já colaborou em outras obras. Além do próprio Gardpam, três outros painelistas participaram diretamente da execução da peça. Cinco jovens, que nunca haviam trabalhado em painéis gigantes, tiveram a oportunidade inédita de trabalhar suspensos por cordas, acompanhando de perto a produção de um mural de grande escala.
Independência artística na cena dos painéis
Este é o segundo painel finalizado por Gardpam em menos de dois meses em Curitiba, o que reforça sua presença marcante na cidade. Segundo o artista, embora muitos acreditem que ele trabalhe com recursos públicos da prefeitura, a maior parte de seus painéis é produzida com recursos próprios. Gardpam é responsável por buscar o local, decidir a arte, conseguir a tinta – parte reaproveitada de trabalhos anteriores – e arcar com todos os custos, incluindo salários e alimentação da equipe. “Eu que vou atrás, eu que crio, então é parte da minha vontade”, conta o artista.
Leia também: Suvinil transforma comunidade no Recife com arte urbana e impacto social positivo
Fonte: cidaderecife.com.br
Leia também: São Gonçalo do Piauí inaugura quadra poliesportiva na comunidade Baixinha
Fonte: odiariodorio.com.br
Gardpam destaca que seu processo, que une criação e produção independente, é pouco comum entre artistas brasileiros que realizam grandes murais. Isso só é possível graças ao reconhecimento e à experiência que acumulou ao longo dos anos, o que também garante outros trabalhos remunerados. Ele reconhece que produzir um painel desse porte é caro e complexo, e que, apesar de ter recebido apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura para o painel “Parques da Cidade”, os recursos não foram suficientes para cobrir todos os custos.
Outros murais gigantes em Curitiba
Apesar do destaque conquistado por Gardpam, Curitiba abriga outros grandes painéis de artistas importantes. Um exemplo é a obra de @Cristina Pagnoncelli, visível no terraço do Cine Passeio, ao lado do Passeio Público. Outro destaque é o mural pintado por @Celestino Dimas na Biblioteca Pública do Paraná. Essas obras integram o cenário urbano da cidade, enriquecendo a paisagem cultural e a experiência dos moradores e visitantes.
Cultura urbana em transformação e circulação
Esses painéis, espalhados por pontos estratégicos do centro, como a rua São Francisco e a praça Tiradentes, mostram uma cidade viva em termos culturais, onde o grafite e a arte urbana dialogam com o cotidiano dos curitibanos. O trabalho de Gardpam, em especial, revela o esforço e a determinação de um artista que investe pessoalmente na circulação cultural, criando espaços de encontro e reconhecimento para a arte do grafite. O público pode apreciar essa produção diretamente no coração da cidade, ampliando o acesso e a visibilidade da cultura urbana.
Para quem acompanha a cena artística local, esses murais são mais do que simples pinturas. São expressões que trazem histórias, referências e conexões entre artistas, público e território. A continuidade dessa circulação depende tanto da iniciativa dos artistas quanto do interesse dos curitibanos em manter esses espaços vivos e acessíveis.
