Compromisso com o equilíbrio fiscal em meio ao crescimento da dívida
A dívida pública brasileira segue em trajetória crescente, gerando preocupação, mas o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afastou a possibilidade de um descontrole fiscal no país. Em entrevista dada nesta quinta-feira (6), após o lançamento de um pacote de estímulos econômicos que ultrapassa R$ 280 bilhões, Durigan reconheceu desafios na rolagem dos títulos públicos e a necessidade de atenção à projeção da dívida para os próximos anos, mas ressaltou que as medidas adotadas pelo governo demonstram compromisso com o equilíbrio das contas públicas.
Medidas adotadas e cenário das contas públicas
Durigan destacou que o governo promoveu um ajuste fiscal de dois pontos percentuais do PIB e que continuará trabalhando para melhorar a situação das contas públicas nos próximos quatro anos. Ele explicou que, apesar das contas ainda estarem no vermelho, o governo tem adotado bloqueios, cortes orçamentários e ações direcionadas ao cumprimento das metas fiscais. “Fizemos um ajuste de dois pontos do PIB. É com esse compromisso que vamos para os próximos quatro anos, melhorando as contas públicas”, afirmou em entrevista à GloboNews.
O ministro também comentou sobre a dificuldade enfrentada pelo Tesouro Nacional para vender títulos da dívida pública, especialmente diante dos juros reais próximos de 8% ao ano. Ele explicou que a rolagem da dívida, que consiste na emissão de novos títulos para quitar os que vencem, tem encontrado resistência devido ao aumento dos gastos públicos e ao crescimento do endividamento, fatores que elevam a percepção de risco entre os investidores.
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Fonte: novaimperatriz.com.br
Pacote econômico com foco nas famílias e impacto no endividamento
O pacote de estímulos anunciado pelo governo inclui mais de 15 medidas econômicas, como desonerações tributárias, ampliação de subsídios e facilitação de crédito, voltadas principalmente às famílias de baixa e média renda, com objetivo eleitoral em vista da eleição de outubro. No entanto, apesar dos recursos bilionários destinados a essas famílias, o endividamento das pessoas físicas atingiu recorde em julho, chegando a 82%, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio. A inadimplência também preocupa, com índice de 29,8%.
Desafios para a política fiscal e juros elevados
Durigan ressaltou que o principal desafio do governo é reduzir os juros, atualmente em 14% ao ano, por meio do fortalecimento da política fiscal. Além da situação interna das contas públicas, o ministro apontou fatores internacionais que influenciam a taxa de juros, como conflitos militares, possíveis choques no preço do petróleo, a política monetária dos Estados Unidos e a instabilidade típica de períodos eleitorais.
Para concluir, Durigan reforçou o compromisso da equipe econômica em implementar todas as medidas possíveis para melhorar o cenário fiscal e diminuir os juros, destacando o impacto negativo das taxas elevadas não apenas para o governo, mas para toda a economia. “Juro machuca muito a economia, não só o governo”, afirmou.
