Brasil sofre aumento expressivo nas tarifas americanas
Em julho, o Brasil passou a ser o segundo país com maior tarifa aplicada pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China. Entre os dias 22 e 24, o governo de Donald Trump impôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Essa medida, somada a uma tarifa adicional de 12,5% aplicada a 60 países por conta de uma investigação sobre trabalho forçado, elevou a tarifa média sobre produtos brasileiros para 17,7%, conforme dados da Gazeta do Povo.
China mantém maior tarifa média, mas modelo muda
A China, que já sofria sanções comerciais anteriores, teve sua tarifa média ajustada para 27,2%, mantendo-se como o país mais penalizado no mercado americano. A principal alteração no sistema tarifário dos EUA foi a substituição de sobretaxas generalizadas por sanções específicas direcionadas a determinados países.
Motivos para a tarifa de 25% contra o Brasil
De acordo com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a tarifa aplicada ao Brasil se baseia em uma investigação que apontou entraves no comércio digital. Entre os problemas destacados estão decisões judiciais brasileiras que afetam plataformas americanas, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, aplicação da legislação anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.
Enquanto várias nações negociaram reduções ou isenções às novas tarifas, o governo brasileiro optou por uma postura de enfrentamento às medidas americanas. Em contrapartida, União Europeia, México e Canadá conseguiram preservar ou até aumentar sua participação no mercado dos EUA.
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Setores brasileiros mais atingidos e exceções importantes
As tarifas não incidem de forma uniforme sobre todas as exportações brasileiras. Segundo Rebecca Nossig, estrategista da Nomad, algumas cargas brasileiras podem ter sobretaxas acumuladas de até 37,5% para entrar nos Estados Unidos. Os setores mais impactados são agropecuária, indústria extrativa, pesca e parte da indústria de transformação.
Produtos como couro, madeira, móveis, borracha, celulose, papel, minerais não metálicos, fumo, máquinas, equipamentos elétricos e produtos de informática enfrentam maiores dificuldades. Contudo, o governo Trump isentou itens estratégicos para o Brasil, como aeronaves, café, carnes e minérios, que representam cerca de 85% das exportações brasileiras para o mercado americano.
Exportações brasileiras se mantêm graças à diversificação
Apesar do aumento das tarifas, as exportações do Brasil continuam crescendo, impulsionadas pela diversificação dos mercados compradores. Os Estados Unidos continuam sendo o segundo maior destino das vendas externas brasileiras, embora sua participação tenha diminuído desde o primeiro pacote tarifário do governo Trump, em abril do ano passado.
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No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os EUA totalizaram US$ 17,4 bilhões, o menor valor para esse período desde 2023. Já as exportações totais do país somaram US$ 184,7 bilhões, alta de 11,5% em relação ao ano anterior e recorde histórico desde 1997.
Resposta do Brasil e desafios na Organização Mundial do Comércio
Após a imposição das novas tarifas, o governo Lula acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que as medidas de Washington violam as regras do comércio internacional. Na prática, essa iniciativa enfrenta um obstáculo: o Órgão de Apelação da OMC está paralisado desde 2019 devido ao bloqueio dos Estados Unidos na nomeação de novos juízes.
Lia Valls, pesquisadora da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), avalia que mudanças no regime tarifário dependem mais das pressões empresariais em Washington do que de manobras diplomáticas em Brasília, indicando um cenário de desafio para o comércio bilateral.
