O Programa Oeste em Desenvolvimento e a ambição tecnológica da região
O Oeste do Paraná tem diante de si uma meta audaciosa: tornar-se líder global em conhecimento e tecnologia aplicados à cadeia da proteína até 2040. Esse é o compromisso que orienta as ações do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), segundo o presidente da entidade, Alci Rotta Júnior. Em entrevista ao podcast do jornal O Paraná, Rotta destacou que a região possui todos os elementos necessários para alcançar esse objetivo, desde que mantenha uma agenda contínua de investimentos em educação, inovação, infraestrutura e integração entre o poder público, setor produtivo e instituições de ensino.
“O nosso norte é tornar a região Oeste líder global em conhecimento e tecnologia agregados à proteína. A gente sonha grande porque sonhar pequeno e sonhar grande dão o mesmo trabalho”, afirmou o presidente do POD, reforçando a visão estratégica do programa.
Governança multissetorial e foco em educação
Com 12 anos de atuação, o POD é reconhecido como uma das governanças multissetoriais mais organizadas do Brasil. A entidade reúne a Associação dos Municípios do Oeste do Paraná (Amop), parques tecnológicos, universidades, cooperativas, associações comerciais e diversas organizações empenhadas no desenvolvimento regional. O objetivo é fortalecer uma região já destacada nacionalmente pela produção de grãos e proteína animal, agregando valor por meio da tecnologia e inovação.
Para Rotta, a transformação deve começar pela educação. Ele lembra que, apesar do Brasil ser a 11ª maior economia mundial, ocupa apenas a 52ª posição em educação, um desequilíbrio que precisa ser corrigido para que o crescimento econômico seja sustentável. “Quando se melhora a educação, automaticamente melhora o PIB”, afirmou o presidente do POD.
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Como referência, ele citou países como Israel e Singapura, que investiram intensamente na formação de pessoas e hoje são símbolos globais de inovação. A intenção, segundo Rotta, não é copiar, mas adaptar essas experiências bem-sucedidas à realidade do Oeste do Paraná. Parcerias com a Amop, o Biopark e municípios locais buscam aperfeiçoar a educação sem desmerecer os avanços já conquistados na região. “Não queremos dizer que a educação da região é ruim. Pelo contrário. Queremos melhorar o que já é bom”, explicou.
Inovação agroindustrial para agregar valor
Além da educação, o presidente do POD ressalta a importância de aproveitar a vocação agroindustrial do Oeste do Paraná para desenvolver soluções tecnológicas que aumentem a produtividade e fomentem novos negócios. A região concentra cinco das dez maiores cooperativas agropecuárias do País e responde por uma parcela significativa da produção estadual de aves, suínos, peixes, milho, soja e trigo.
“Nós já temos o mais difícil. O que precisamos agora é agregar valor ao que produzimos”, destacou Rotta, que também manifestou preocupação com o avanço da inteligência artificial e os impactos no mercado de trabalho, especialmente no chamado apagão docente. Muitas profissões serão transformadas ou eliminadas, exigindo atualização dos cursos superiores e valorização da carreira docente. “A tecnologia vem para ajudar, mas muitas profissões vão desaparecer. Precisamos preparar as pessoas para essa nova realidade e criar condições para atrair e reter talentos”, concluiu.
Diálogo político e continuidade das agendas estratégicas
Rotta enfatizou que o POD mantém relações institucionais com representantes de diferentes partidos e pretende continuar atuando junto aos futuros governantes para garantir avanços consistentes. “As entidades, sozinhas, não fazem absolutamente nada. O desenvolvimento depende do diálogo permanente com quem foi eleito pela população”, afirmou.
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Ele reconheceu os avanços obtidos na atual gestão estadual, especialmente nos investimentos em universidades e inovação, e defendeu a manutenção das agendas estratégicas da região independente das mudanças no governo.
Desafios na jornada de trabalho e infraestrutura logística
Sobre a proposta de redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, Rotta reconheceu a importância de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, mas alertou para os riscos que a medida pode trazer se aplicada sem ajustes. Segundo ele, o aumento dos custos pode pressionar a inflação, reduzir a produção e impactar negativamente o poder de compra da população. “O emprego continua sendo o melhor programa social que existe. Precisamos criar um ambiente favorável aos investimentos, reduzir o custo do dinheiro e fortalecer o setor produtivo. É isso que gera oportunidades e melhora a qualidade de vida das pessoas”, afirmou.
Outro ponto que merece atenção é a infraestrutura logística, especialmente o sistema de pedágio no Paraná. O POD participou ativamente das discussões que resultaram na adoção do modelo de menor tarifa nos contratos de concessão rodoviária, substituindo o sistema anterior de outorga onerosa. No entanto, os lotes 5 e 6, que atendem o Oeste do Estado, apresentaram tarifas entre 50% e 60% mais caras por quilômetro rodado devido à baixa concorrência nos leilões.
Para amenizar esse impacto, Rotta defende que os governos estadual e federal financiem parte das obras previstas, diminuindo o valor das tarifas, além da isenção de tributos incidentes sobre o pedágio, o que poderia reduzir custos em até 30%. Ele também alertou para o chamado “degrau tarifário”, previsto para após as duplicações das rodovias, que deve elevar as tarifas em média 40% além dos reajustes anuais. “Precisamos acompanhar isso para que o pedágio não comprometa a competitividade da região e a atração de investimentos”, concluiu o presidente do POD.
