Defesa da indústria paranaense contra tarifas adicionais nos EUA
A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) protocolou, em 1º de julho, uma defesa formal nos processos de investigação da Seção 301, conduzidos pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O procedimento pode resultar na imposição de uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os EUA, afetando diretamente a indústria do Paraná. A entidade também participará da audiência pública agendada para os dias 6 e 7 de julho em Washington, onde reforçará os argumentos para a exclusão dos produtos paranaenses dessa nova cobrança.
Impactos econômicos e setores estratégicos em risco
Para ampliar sua atuação, a Fiep contratou um escritório de advocacia com expertise em comércio internacional, com sedes no Brasil e em Washington. A defesa apresentada destaca que cerca de 80% das exportações industriais paranaenses para os EUA podem ser prejudicadas pela tarifa adicional, comprometendo a competitividade de setores estratégicos e a continuidade de relações comerciais construídas ao longo de décadas. O documento reúne informações técnicas e econômicas sobre produtos que somam aproximadamente US$ 1 bilhão dos US$ 1,3 bilhão exportados pelo Paraná em 2025.
A sobretaxa de 25% poderá gerar impactos diretos nas cadeias produtivas, investimentos, empregos e nos preços praticados no mercado norte-americano. Por isso, a Fiep defende que nenhuma nova tarifa seja aplicada sobre produtos brasileiros, ou que, caso a medida seja confirmada, os produtos da indústria paranaense relacionados na defesa sejam incluídos em uma lista de exceções.
Produtos paranaenses ameaçados e argumento contra bitributação
Entre os principais produtos do Paraná que a Fiep busca excluir da nova tarifa estão itens como madeira (molduras, compensados, madeira serrada, pisos e portas), móveis de madeira, revestimentos cerâmicos, papel, café instantâneo, mel, filés de tilápia e couro bovino, além de enzimas, resinas, dextrinas e equipamentos ortopédicos. A entidade também solicita que produtos já abrangidos pela Seção 232, como os do setor metalmecânico, não sejam novamente tributados pela Seção 301, evitando bitributação que elevaria custos para exportadores e compradores.
A defesa argumenta que esses produtos não têm relação com as práticas investigadas pelo governo dos EUA e são produzidos em cadeias sustentáveis e rastreáveis, como a madeira originária de florestas plantadas certificadas no Sul do Brasil. Além disso, destaca que muitos desses itens são insumos essenciais para a indústria e consumidores dos EUA, sem fornecedores alternativos capazes de garantir volume, qualidade ou preço equivalentes.
Consequências econômicas para os EUA e pressão inflacionária
A Fiep ressalta que a aplicação das tarifas não contribuiria para resolver os temas da investigação do USTR e, ao contrário, elevaria custos para importadores, fabricantes e consumidores norte-americanos. Essa medida aumentaria pressões inflacionárias, comprometeria cadeias de suprimentos e reduziria a competitividade da economia dos EUA. Estudos anteriores indicam que políticas tarifárias desse tipo acabam elevando preços e gerando perdas econômicas superiores aos benefícios esperados.
Presença na audiência pública para reforçar defesa
Além da manifestação formal por escrito, a Fiep participará da audiência pública promovida pelo USTR em Washington, reforçando o posicionamento da indústria paranaense. A Federação será representada pelo diretor Paulo Roberto Pupo, coordenador do Conselho Temático de Negócios Internacionais e superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), e pelo superintendente da Fiep, João Arthur Mohr.
