Início do El Niño e previsão de intensificação
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos, confirmou nesta quinta-feira (11) o início do El Niño, fenômeno climático que deve se desenvolver para níveis moderados ou fortes. Segundo a agência americana, a chance de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro chegou a 63%, um aumento significativo em relação aos 37% estimados no mês anterior. Caso se confirme, poderá estar entre os maiores eventos desde o início dos registros, em 1950.
Embora o El Niño tenha o potencial de influenciar eventos climáticos extremos, a NOAA alerta que cada ocorrência apresenta características próprias. Assim, um evento considerado muito forte não necessariamente resultará em impactos ainda maiores, mas eleva a probabilidade desses fenômenos.
Impactos recentes e relação com o aquecimento global
O El Niño mais recente, entre 2023 e 2024, figurou entre os maiores já registrados. No Brasil, provocou uma seca histórica na Amazônia e uma enchente severa no Rio Grande do Sul. Além disso, 2024 foi o ano mais quente registrado no planeta desde o século 19. Como o El Niño influencia diretamente nas temperaturas globais, já se discute a possibilidade de um novo recorde de calor no período atual.
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento da superfície do oceano Pacífico próxima à linha do Equador. Um El Niño muito forte corresponde a uma elevação igual ou superior a 2°C nas águas superficiais, comparado à média histórica. As demais categorias variam conforme a temperatura, sendo forte entre 1,5°C e 2°C, moderado entre 1°C e 1,5°C, fraco entre 0,5°C e 1°C, e neutro entre -0,5°C e 0,5°C.
O que é o El Niño e como ele se forma
O El Niño é um fenômeno natural da natureza causado pelo aquecimento acima da média da superfície do Pacífico próximo à linha do Equador. Normalmente, os ventos alísios empurram águas quentes em direção à Ásia. Porém, em anos de El Niño, esses ventos enfraquecem, promovendo o aquecimento das águas no Pacífico central e oriental. Esse desequilíbrio altera padrões climáticos globais.
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Em contrapartida, existe o fenômeno La Niña, que ocorre quando os ventos alísios se intensificam e a superfície do oceano fica mais fria que a média. Ambos os eventos têm efeitos distintos no clima mundial.
Consequências do El Niño para o Brasil
De acordo com nota técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o El Niño deste ano pode reduzir o volume de chuvas na Amazônia, elevando o risco de incêndios florestais na região. Em resposta, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a União e os estados da Amazônia e do Pantanal apresentem planos para enfrentar essa ameaça.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que o governo federal está preparado para mitigar os possíveis efeitos do fenômeno, com ações para evitar a propagação de incêndios durante eventuais períodos de seca.
Enquanto as regiões Norte e Nordeste tendem a registrar menos chuvas, o Sul do Brasil costuma enfrentar maior precipitação durante anos de El Niño. O Centro-Oeste pode apresentar temperaturas elevadas, aumentando o risco de fogo. No Sudeste, o fenômeno costuma provocar aumento da temperatura média, especialmente na primavera e verão, mais chuvas em áreas como o sudeste de São Paulo e o centro-sul do Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de redução de precipitação em regiões mais ao norte. No entanto, dependendo da intensidade, secas também podem ocorrer.
Efeitos globais do El Niño
No Sudeste Asiático e Índia, o El Niño pode reduzir a produção agrícola devido a chuvas abaixo da média, alerta Kyle Tapley, executivo de vendas da WeatherDesk da Vaisala Xweather. As monções, que são responsáveis por quase 70% das chuvas na Índia, são fundamentais para o setor agrícola, que representa cerca de 18% da economia local. Chuvas deficitárias podem prejudicar colheitas de arroz, algodão e soja, além das safras de inverno.
Na Indonésia, produtores de arroz antecipam o plantio para enfrentar um período prolongado de seca. O ministro da Economia da Malásia também alertou para uma possível queda de 8% a 10% na produção agrícola devido ao fenômeno.
Nos Estados Unidos, o El Niño tende a reduzir a atividade da temporada de furacões no Atlântico, que vai de 1º de junho a 30 de novembro. Apesar disso, a possibilidade de furacões fortes não está descartada, destaca Tapley.
O El Niño é um fenômeno que impacta diretamente a produção, a renda e os preços em diversas regiões do mundo. Entender seus efeitos ajuda a antecipar riscos e oportunidades para setores como agricultura e gestão ambiental, com reflexos concretos na vida das pessoas e na economia global.
