Centro de Cultura Surda nasce para valorizar a comunidade surda
O Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de formação artística e Cultural, Livro e Leitura (Sefli), em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), lançou nesta quarta-feira (10) o Centro de Cultura Surda (CCS). A iniciativa foi criada para valorizar, preservar e difundir a cultura surda brasileira, colocando a pessoa surda no centro do protagonismo cultural.
Durante o evento de lançamento, foi anunciada a realização da 1ª Mostra do Centro de Cultura Surda, prevista para outubro. Também foram destacadas as oficinas formativas gratuitas que já estão em andamento, oferecendo capacitação em diversas linguagens artísticas como teatro, produção audiovisual, fotografia, escultura, pintura, xilogravura e performance de poesia/slam, sempre com foco na cultura surda. A expectativa é que cerca de 1 mil pessoas participem das atividades, entre modalidades presenciais e online.
Formação, memória e produção cultural em um só espaço
O CCS foi concebido como um polo integrado para formação, pesquisa, memória e produção cultural, garantindo o protagonismo de profissionais surdos em todas as etapas do projeto. Alinhado ao Plano Nacional de Cultura, o centro reforça os esforços do MinC para ampliar o acesso aos direitos culturais e promover a acessibilidade. A programação de lançamento contou com mesa de abertura, palestra e apresentações culturais com representantes do ministério, da UFPR, pesquisadores, artistas e lideranças da comunidade surda.
A criação do CCS dialoga com outras ações estratégicas da Sefli, como o Mapeamento Acessa Mais, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Esse projeto mapeia nacionalmente artistas, agentes culturais e profissionais com deficiência que atuam no setor, reunindo dados para subsidiar políticas públicas que valorizem a Cultura DEF e garantam os direitos culturais dessa parcela da população.
Indicadores e políticas públicas para a cultura surda
Durante o evento, o secretário de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba, apresentou dados sobre a participação de pessoas surdas nas artes. O mapeamento identificou 3.476 cadastros, incluindo 344 surdos e quatro pessoas com surdocegueira. Desses, 243 atuam como artistas, 51 como agentes culturais e 231 como profissionais de acessibilidade.
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Segundo Piúba, a ação reforça as políticas que garantem o direito à cultura e à educação para pessoas surdas, com foco no protagonismo das manifestações artísticas. Ele ressaltou a importância da libras como patrimônio cultural, linguagem artística e meio de expressão que precisa ser reconhecido como parte da diversidade cultural brasileira.
Oficinas e ações afirmativas ampliam o alcance do CCS
O diretor de Educação e Formação Artística da Sefli, Rafael Maximiniano, destacou que o CCS faz parte de uma rede conectada de ações afirmativas. As oficinas descentralizadas têm como objetivo alcançar cerca de 1 mil pessoas, em formatos remoto e presencial, valorizando a Libras como patrimônio, arte e poesia. Projetos como o Acessa Mais seguem as diretrizes da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) para fortalecer essas iniciativas.
Valdo Nóbrega, chefe da Divisão de Acessibilidade Cultural da Sefli, considerou o lançamento do CCS um marco histórico no governo federal. Ele explicou em Libras que o sinal do Centro sintetiza os conceitos de protagonismo e socialização, e ressaltou que o projeto está fundamentado no direito constitucional à educação e cultura, construindo um espaço inclusivo e livre de discriminações.
Centro como espaço de transformação e preservação cultural
Mais do que um local físico, o CCS atua como agente de transformação social e reparação histórica, validando a identidade surda contemporânea. O centro organiza suas ações em frentes que superam barreiras linguísticas e culturais, como a formação artística continuada, produção de materiais bilíngues em Libras e português, exposições artísticas e históricas, além de publicações acadêmicas voltadas à pesquisa e à introdução da literatura acessível nas escolas.
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A riqueza das expressões tradicionais da cultura surda é valorizada, buscando atender demandas da comunidade e difundir suas manifestações para outros setores da sociedade. Assim, o CCS consolida a Língua Brasileira de Sinais como patrimônio gerador de conhecimento, arte e cidadania.
Parceria com a UFPR reforça compromisso com cultura surda
Adelaide Hercília Pescatori Silva, diretora do Setor de Ciências Humanas da UFPR, ressaltou a urgência de promover a língua e a cultura surda no país, destacando que a parceria com o MinC representa um avanço nas políticas públicas para a sociedade. O coordenador geral do CCS, Danilo Knapik, reforçou o caráter coletivo do centro, construído por técnicos, pesquisadores e artistas da UFPR e do MinC, com o objetivo de beneficiar tanto a comunidade surda quanto a sociedade em geral.
Daltro Roque Junior, coordenador do curso de Letras Libras da UFPR, afirmou que o CCS abre novas possibilidades a serem replicadas em outras universidades federais, garantindo o protagonismo pleno da pessoa surda. A primeira mostra cultural, prevista para outubro, será o próximo passo significativo do centro.
Jefferson Diego, chefe do Departamento de Libras (DELI/SCH/UFPR), enfatizou o trabalho conjunto que resultou em um projeto de qualidade, com a participação de pessoas surdas que reconhecem a língua de sinais em suas diversas identidades. O objetivo é que o espaço cresça, seja conhecido e utilizado pela sociedade, ampliando o acesso à cultura surda.
