Projeto Latcho Drom e a valorização da cultura cigana
No dia 24 de maio, o Brasil celebra o Dia Nacional dos povos ciganos, data instituída há cerca de 20 anos para reconhecer e valorizar a cultura desse grupo que, apesar de sua importância histórica, ainda convive com invisibilidade, preconceitos e estigmas sociais. Para marcar essa data, Curitiba recebe o projeto Latcho Drom, expressão em romani que significa “boa jornada”. Entre 19 de maio e 4 de junho, o evento oferece uma série de atividades culturais gratuitas que ampliam o diálogo sobre a cultura e os desafios dos povos ciganos.
Espetáculo que revisita memórias e identidade cigana
Destaque da programação, o espetáculo solo Paramitcha Calipe – dos Jazigos aos Berços é protagonizado pela atriz Tatiane Iovanovitch, filha do ativista e referência na cultura cigana no Paraná, Cláudio Domingos Iovanovitch, falecido em março de 2025. Com dramaturgia coletiva, direção de Neiva Camargo e concepção cênica de Pedro Almeida, a peça propõe um olhar íntimo e político sobre a realidade das mulheres ciganas no Brasil, abordando memórias pessoais, violência, pertencimento e identidade.
A montagem dá continuidade ao legado de Cláudio, que idealizou inicialmente o projeto. Tatiane assumiu o papel de levar adiante essa proposta, buscando preservar a memória do pai e ampliar o debate sobre invisibilidade e representatividade dos povos ciganos. Segundo a atriz, “Existe um não lugar ali. Às vezes somos muito ciganos para o meio não cigano e muito não ciganos para o meio cigano. Queremos falar sobre isso, mas principalmente sobre preconceitos e estigmas propagados pela mídia. Nós, povos ciganos, falamos pouco sobre nós mesmos. O espetáculo propõe justamente essa perspectiva cigana.”
Além do espetáculo: palestras e debates sobre cultura e identidade
O projeto Latcho Drom também inclui palestras com nomes representativos da cultura cigana, como Aluízio de Azevedo Silva Júnior, da etnia Calon, doutor em Comunicação e Saúde dos Povos Ciganos pelo Fiocruz. “Queremos ampliar o debate e mostrar o quanto os povos ciganos contribuíram para a formação do povo brasileiro”, afirma Tatiane.
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Além dele, participam o jornalista e artista Roy Rogeres Fernandes Filho, que pesquisa a presença cigana na arte circense brasileira, e a ativista Hayanne Iovanovicth, idealizadora do Museu Cigano Virtual Romano. As atividades ocorrem em Santa Felicidade e no Memorial de Curitiba, espaços que abrigam a programação cultural.
Reflexão para além do imaginário popular
O projeto busca ir além das imagens folclóricas frequentemente associadas aos povos ciganos. “Estamos falando de uma programação muito longe daquele imaginário popular, em que o público não vai encontrar dança e música o tempo inteiro”, explica Tatiane. O monólogo, por exemplo, aborda temas como escuta, memória, silenciamento e realidade, enquanto os debates têm o objetivo de ampliar o conhecimento do público sobre a cultura cigana.
O intuito é fortalecer o diálogo sobre identidade, preconceito e apagamento cultural. “Esperamos que o público venha com o coração aberto para entender um pouco mais dessa cultura”, completa a atriz.
Serviço: programação do Projeto Latcho Drom em Curitiba
Espetáculo “Paramitcha Calipe – dos Jazigos aos Berços”
19 a 21 de maio, às 21h
Local: Teatro do Espaço da Criança em Santa Felicidade (Rua Domingos Strapasson, 620)
Palestras sobre a cultura cigana
1º a 4 de junho
Local: Teatro do Memorial de Curitiba (Rua Dr. Claudino dos Santos, 79 – São Francisco)
Espetáculo “Paramitcha Calipe – dos Jazigos aos Berços” (segunda temporada)
30 de maio a 4 de junho, às 21h
Local: Teatro do Memorial de Curitiba
