Descompasso entre Reconhecimento e Remuneração
No Paraná, enquanto a Secretaria da educação (Seed) é aplaudida com prêmios de gestão pública, a realidade dos(as) professores(as) é bem diferente. Em uma cerimônia realizada recentemente, a Seed foi reconhecida pelo Sistema de Excelência em Liderança Orçamentária (SELO Paraná), uma iniciativa criada pelo próprio governo, que premia as pastas pelo desempenho na gestão financeira. Contudo, essa conquista não se reflete na valorização real dos educadores da rede estadual, que lutam constantemente contra um dos piores salários do país.
A presidenta da APP-Sindicato, Walkiria Mazeto, não poupou críticas ao governo de Ratinho Jr. (PSD), afirmando que enquanto a Secretaria recebe um Selo Ouro por austeridade fiscal, os(as) educadores(as) continuam a ver seu contracheque muito aquém do esperado. “A diferença é gritante. O governador propaga que temos a melhor educação do Brasil, mas na prática, os salários dos(as) professores(as) estão entre os mais baixos”, aponta Walkiria.
Recursos e Destinação
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De acordo com informações divulgadas pela comunicação estatal, o orçamento da Seed teve um aumento significativo de 18% em 2025, totalizando R$ 603 milhões em comparação ao ano anterior. O governo também comemorou o recebimento da complementação do Valor Aluno Ano Resultado (VAAR), que já está sendo creditada em 12 parcelas mensais, somando R$ 620,6 milhões. Contudo, essa injeção de recursos não tem sido suficiente para melhorar as condições salariais dos educadores.
O VAAR integra o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e, entre suas finalidades, está a possibilidade de aumentar a remuneração dos(as) professores(as). Entretanto, um estudo realizado pelo economista da APP-Sindicato, Cid Cordeiro, revela que quase metade desse valor está sendo direcionada para financiar a privatização da gestão escolar, em vez de beneficiar os(as) educadores(as) diretamente.
Segundo Cid, dos R$ 530 milhões recebidos via VAAR em 2025, aproximadamente R$ 250 milhões foram destinados a empresas contratadas pela Seed, através do programa Parceiro da Escola, enquanto outros R$ 52 milhões foram gastos em serviços de tecnologia. “Esses investimentos, em vez de valorizar o trabalho docente, estão promovendo um modelo que pode comprometer a qualidade da educação no futuro”, destaca.
Desigualdade Salarial em Foco
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Um levantamento detalhado mostra a discrepância entre os salários de diferentes profissões no Estado. Um(a) advogado(a) recém-formado(a) pode ganhar até R$ 32,1 mil, enquanto os(as) engenheiros(as), médicos(as) e psicólogos(as) iniciam suas carreiras com vencimentos que giram em torno de R$ 7.997,72. Em contrapartida, um(a) professor(a) paranaense começa com apenas R$ 5.166,00 para a mesma carga de 40 horas semanais. Essa diferença salarial chega a 35,41%, evidenciando a desvalorização da profissão docente.
A APP-Sindicato tem pressionado por uma revisão na carreira do magistério, uma vez que essa categoria ainda não passou por reforma durante a gestão atual. A equiparação salarial é uma das principais demandas da campanha salarial deste ano, e os líderes da APP-Sindicato têm se reunido com representantes do governo para apresentar soluções, incluindo a utilização dos recursos do VAAR para implementar essa mudança.
Continuação da Luta
Walkiria Mazeto enfatiza que a luta por melhorias salariais e condições de trabalho é contínua. Para isso, a categoria decidiu dedicar o dia 29 de cada mês a denunciar as injustiças enfrentadas pelos(as) educadores(as) sob a administração de Ratinho Jr. O movimento é uma resposta direta à propaganda oficial do governo, que promove a educação paranaense como a melhor do Brasil, enquanto ignora as necessidades reais dos profissionais da área.
O ciclo de lutas começou com a data de 29 de abril, que também marca o 11º aniversário do Massacre do Centro Cívico. Com isso, os(as) professores(as) e funcionários(as) de escola planejam intensificar suas reivindicações, que incluem a aprovação de uma nova tabela salarial, o pagamento da dívida da data-base, e a equiparação salarial para cargos com igual exigência de formação e carga horária.
O futuro da educação no Paraná está em jogo, e a mobilização da categoria visa garantir que as promessas de valorização se tornem realidade, e que os(as) educadores(as) recebam o reconhecimento merecido por seu trabalho.
