Aumento dos Custos de Produção no Setor Leiteiro
No Paraná, o custo de produção da atividade leiteira voltou a subir, refletindo principalmente a alta dos insumos utilizados na nutrição do rebanho. Essa análise foi divulgada pelo Deral, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), em um boletim conjuntural na última quinta-feira (30). A alta nos custos pressiona diretamente o poder de compra do produtor de leite, especialmente em relação a insumos essenciais como milho e farelo de soja, resultando em uma rentabilidade mais baixa na atividade.
Piora na Relação de Troca e Aumento dos Custos dos Insumos
O relatório do Deral aponta que a relação de troca entre o litro de leite e a saca de milho é um indicador crucial para entender os custos de produção. Em março de 2025, com o litro do leite a R$ 2,81, eram necessários 27,7 litros para adquirir uma saca de milho, que custava R$ 77,90. No entanto, a análise mais recente mostra que essa relação piorou, subindo para 29,4 litros por saca, o que evidencia uma perda significativa no poder de compra dos produtores.
Além do milho, o farelo de soja, um insumo fundamental na alimentação dos animais, também apresenta uma relação de troca desfavorável. Essa relação passou de 697 litros por tonelada em março de 2025 para 868 litros por tonelada atualmente, o que reflete um aumento crucial nos custos nutricionais da atividade leiteira.
Nutrição Animal: Principal Fator de Custo
Conforme o boletim, a nutrição do rebanho continua sendo o principal componente do custo de produção do leite. Com a escalada dos insumos, os produtores se deparam com margens de lucro mais apertadas e uma necessidade urgente de otimizar a gestão nutricional e produtiva. Esse cenário ressalta a vulnerabilidade da atividade às oscilações do mercado de grãos, em particular o milho e a soja, que têm um impacto direto na formação do custo do litro de leite.
Impacto das Importações no Mercado de Lácteos
Além dos custos de produção crescentes, o mercado de lácteos no Brasil é afetado pelo aumento das importações. O volume importado cresceu aproximadamente 26% no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. Os queijos, por exemplo, representam cerca de 40% desse total, sinalizando uma forte presença de produtos importados no mercado interno e colocando pressão adicional sobre os preços.
Aumento das Importações de Leite em Pó
O boletim ressalta ainda o aumento das importações de leite em pó, mesmo após a implementação de medidas que visam restringir a entrada desse produto no Brasil. Em março de 2026, as compras externas de leite em pó aumentaram 71% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o que intensifica a concorrência no mercado interno e adiciona uma pressão extra sobre os preços que os produtores recebem.
Desafios do Setor Leiteiro
Com o aumento dos insumos e as crescentes importações, a cadeia do leite enfrenta um cenário competitivo mais desafiador. O desafio que se apresenta para o setor é encontrar formas de viabilizar economicamente a produção em meio a margens mais estreitas e maior volatilidade no mercado. A eficiência na gestão dos custos será determinante para a sobrevivência dos produtores de leite em um ambiente cada vez mais exigente.
