Um Novo Olhar para a População Idosa
Curitiba está testemunhando uma importante mudança demográfica. Dados do IBGE revelam que, desde o ano anterior, o número de idosos na capital ultrapassa o de crianças e adolescentes com até 14 anos. Atualmente, a cidade abriga cerca de 359 mil pessoas acima dos 60 anos, representando 20% da população total de 1,8 milhão de habitantes. Essa evolução demográfica não é apenas uma estatística: ela reflete um novo comportamento entre os idosos curitibanos, que buscam mais autonomia e presença na sociedade.
Ao contrário de gerações passadas, os idosos atuais estão mais ativos, exigindo seus direitos, participando da vida política e, em muitos casos, adiando a aposentadoria ou retornando ao mercado de trabalho. Segundo Luciana Faria, coordenadora da área da Pessoa Idosa na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano, essa nova realidade é marcante e necessária. “Os idosos querem permanecer em movimento e participar ativamente da sociedade”, ressalta.
Robustez e Autonomia na Terceira Idade
Pesquisas indicam que 54% dos idosos em Curitiba são classificados como “robustos” ou “não frágeis”, o que significa que possuem plenas condições de viver de forma autônoma e realizar atividades diárias sem auxílio. Ivete Berkenbrock, médica geriatra da Secretaria Municipal de Saúde, destaca a importância de compreender essa nova fase da vida e os desafios que surgem com ela.
Prevenção: Um Pilar Fundamental
Para lidar com o aumento da longevidade, a prefeitura de Curitiba prioriza a prevenção. O programa “Escute seu Coração” visa monitorar doenças crônicas como hipertensão e diabetes, evitando o agravamento da saúde dos idosos. Além disso, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) oferecem apoio nutricional e grupos de apoio para ajudar aqueles que desejam parar de fumar.
É importante também atender a parte da população idosa que se encontra em situação de vulnerabilidade. Aproximadamente 20% dos idosos são considerados “frágeis” e necessitam de cuidados permanentes, sendo assistidos pelo Serviço de Atenção Domiciliar (SAD). Este serviço proporciona apoio no próprio lar, orientando familiares e garantindo que a recuperação após altas hospitalares ocorra de forma segura.
Ivete enfatiza que, no caso dos idosos frágeis, as equipes de saúde atuam com um Plano de Cuidados, orientando sobre como manter ou melhorar a autonomia e a qualidade de vida. “Este suporte é crucial, especialmente para aqueles que requerem cuidados mais delicados, incluindo visitas frequentes ou uso de ventilação mecânica domiciliar”, explica a médica geriatra.
Qualidade de Vida e Inclusão Social
O respeito pela busca de independência dos idosos se reflete nas diversas oportunidades oferecidas pela prefeitura para promover o desenvolvimento socioemocional. A cidade conta com Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), que oferecem cursos e atividades para fortalecer vínculos sociais, além de exigir o cadastro no CadÚnico como uma das condições para participação. Os espaços Conviver promovem atividades coletivas que valorizam o envelhecimento ativo.
Além disso, Curitiba, em parceria com o governo estadual, disponibiliza três unidades da Universidade Aberta à Pessoa Idosa (Unapi), nas regiões Cajuru, Boa Vista e Bairro Novo, que oferecem atividades formativas e culturais. Luciana Faria destaca que também há 30 instituições parceiras, como o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), que já capacitou idosos em informática.
No campo do lazer e esporte, a Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude (SMELJ) disponibiliza diversas modalidades gratuitas. Aproximadamente 34 mil pessoas participam de atividades, das quais 11 mil são acima dos 60 anos. Esses programas são essenciais para promover a saúde e o bem-estar da população idosa.
Uma Cidade Amiga do Idoso
Curitiba não apenas reconhece essas transformações, mas também busca implementar ações concretas que impactam a vida da população idosa. De acordo com o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), há um esforço contínuo para qualificar o espaço público, revisando calçadas, instalando rampas, otimizando a localização de pontos de ônibus e aperfeiçoando a ergonomia urbana, incluindo mobiliário urbano adequado como bancos e áreas de permanência. Essas mudanças são fundamentais para ampliar a acessibilidade e a mobilidade dos idosos na cidade.
